quinta-feira, agosto 14, 2008

Uma história triste

Maria Keil. Estação dos Restauradores

Era uma peça de Rosa Ramalho por que tinha particular estima. Um belo dia, deixei de a ver no local que lhe estava destinado, em minha casa. Perguntei por ela à jovem que nos ajudava nas tarefas domésticas que, espantada, me respondeu: “Aquela coisa? Partiu-se. Era tão feia que até me esqueci de dizer”. Pois, a partir de hoje, após ter lido a história que aqui vamos divulgar, estás perdoada, rapariga.

Não aconteceu em Vouzela, nem tem que ver com ambiente. Mas tem que ver com o modo como se protege o nosso património colectivo e com a competência de quem se arroga o direito de o fazer. É a história de alguém (Maria Keil) que um dia decidiu oferecer trabalhos seus para decorar algumas estações do Metro de Lisboa e que, por isso mesmo, por não ter cobrado um tostão, nem se ter refugiado em contratos, viu o seu trabalho vandalizado, com os responsáveis (do Metropolitano de Lisboa) a suspirar de alívio por não terem que a indemnizar. É a história- triste- de um país que elegeu o "pato-bravo" como seu paradigma e por aí se ficou. A ler no Cantigueiro, onde chegámos a partir do Arrastão. E com esta retomamos as nossas férias. Mais tristes.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Ao sabor da corrente

Rio Zela, junto à Foz. Mais imagens, aqui, aqui, aqui , aqui, aqui e aqui

O som da água a correr, por entre o silêncio geral. A frescura de um mergulho num fundão de águas límpidas, daquelas de ver o fundo. Sim, ainda é possível, mas é necessário procurar... e guardar segredo. Talvez por não justificarem inauguração oficial, com nome na lápide e discurso, os nossos recursos hídricos têm sido ignorados pelas "autoridades competentes". Não tardará muito, e isso mesmo será dado como justificação para os privatizar. Aproveite enquanto pode. E proteste.

As imagens que aqui deixamos, são do rio Zela. Rio de montanha, segue o seu curso desde Adsamo, freguesia de Ventosa, até se encontrar com o Vouga, nos limites de Vouzela, sede de concelho que lhe deve o nome (sobre isso se irá falar em próxima oportunidade). Pode ser conhecido, junto à foz, num percurso já aqui divulgado, ou acompanhando o seu leito, rio acima- convém pedir informações.

Pela parte que nos toca, vamos uns dias procurar outras águas, ao sabor da corrente. Por uma vez. Voltaremos antes das vindimas, que se prevêem com bons resultados, ao contrário do ano que aí vem. O Pastel de Vouzela continua com o ritmo próprio da época: devagarinho, para melhor saborear.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Três épocas, uma festa

“E é assim que esta Terra, Terra de mil encantamentos, vos espera, entre as encostas feiticeiras de Vouga e Zela”- Do folheto das Festas de 1949.

Em 1949, agradecia-se às “gentis meninas” que, “dentro do recinto das festas”, ofereciam “um especial e perfumado chá ou café, delicioso caldo verde, reconfortantes sandwiches e bebidas, desde o inegualável verde, ao capitoso espumante”. As festas decorriam entre 30 de Julho e 1 de Agosto e prometia acordar cedo locais e visitantes, com uma salva de 21 tiros... às seis da manhã.

Nos anos 60, alargou-se o período festivo, mas moderou-se a morteirada que avançou para as oito horas. As festas abriam com uma gincana de “Bicicletas Motorizadas” e internacionalizaram-se, contando com a presença do Chorale Universitaire da Universidade de Nancy. Reflectindo os tempos que então começavam, a animação nocturna contava com o funcionamento de uma discoteca, na altura designada por boite. Era a Capucha. Nos jardins do Hotel Mira-Vouga, havia “grandioso baile” animado, entre outros, pelo conjunto Alafão de Vouzela.

Em 1972 tentou-se uma mudança na imagem das festas, a começar no prospecto de divulgação. Contava com a colaboração de dois professores que por cá passaram e cortava com a habitual descrição de símbolos e belezas locais. Georgete Horta desenhou a capa, enquanto o texto de apresentação, mais virado para a Vouzela real do que ideal, era assinado por Fernão de Magalhães Gonçalves que ainda há-de merecer maior destaque no espaço do Pastel de Vouzela. A rampa do Castelo já fazia parte do programa, organizada pela Secção de Motorismo do Aero Club de Viseu, e a exibição de ranchos folclóricos ganhava o estatuto de “Festival Luso-Espanhol”, com a presença do Grupo de Coros y Danzas de Madrid.

Três épocas diferentes, três “desenhos” diferentes das Festas do Castelo. Em comum, o fogo de artifício sempre a cargo de Manuel de Figueiredo e o amplo convívio que dominava o último dia das festas, com uma monumental merenda no Monte Castelo. Depois, o pretexto para encontros que, em épocas de grande emigração, adquiria (adquire) um significado especial.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Causas nossas

Integrada na estratégia de combate contra a revisão do PDM da Moita, foram pedidos a diversos blogues, textos onde resumissem os motivos que os levaram a solidarizar-se com o movimento. O Pastel de Vouzela foi honrado com um desses convites. Aqui fica o nosso modesto contributo, publicado no Alhos Vedros ao Poder.

Novos percursos pedestres


Já está actualizada a nossa página sobre percursos pedestres no concelho de Vouzela, com as duas mais recentes propostas divulgadas pela Câmara Municipal. A primeira, baseada na Reserva Botânica de Cambarinho (ver aqui) e a segunda, integrada no Trilho do Vouga (envolvendo os concelhos de São Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades), desenvolve-se a partir da Foz do Rio Zela (ver aqui).

segunda-feira, agosto 04, 2008

Igreja Matriz

Imagens da Igreja Matriz, vista debaixo dos arcos da ponte.


Agosto 2008

Foto: Carlos Pereira


1985

Edição: Câmara Municipal de Vouzela
Gráfica Ideal - Águeda


1960's

Colecção Portugal Turístico n.º 805
Dist. por RAN - LISBOA


1930's

(sem imdicação do impressor)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Quintas verticais


Parece que a ideia surgiu em 1999, na Universidade de Columbia, a partir de um projecto que procurava compreender a relação entre ambiente e saúde (ver aqui). Rapidamente obteve seguidores, quer nos Estados Unidos, quer na Europa, que avançaram mil e uma hipóteses para aumentar a produção local de alimentos frescos. Chamam-lhes “vertical farms”ou “living towers” e integram-se no movimento (já lhe podemos chamar assim) da agricultura urbana.

Não será, pois, por falta de criatividade que sucumbiremos aos problemas e seremos condenados a negociar no mercado negro um qualquer molho de grelos. Mesmo que as ideias nos pareçam mais próximas das nuvens do que bem assentes na terra, como as torres que se apresentam.

Mas, ao passarmos os olhos por estes projectos, ao lermos as preocupações dos seus autores, é impossível não recordar o “nosso” Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles e os seus alertas contra o desenvolvimento suicida das cidades que vamos tendo. Reconheça-se, aliás, a maior consistência das suas propostas, baseadas na relação dinâmica entre rural e urbano, apostando numa ruptura com os modelos dominantes de gestão do território. Talvez por isso, seja mais apelativo imaginar as floreiras cheias de brócolos, ou vaquinhas a pastar na cobertura.