terça-feira, abril 08, 2008

A propósito do Hospital de Vouzela

O Hospital em Fevereiro de 1959.
Curioso o letreiro em ferro trabalhado, dizendo: "Asilo-Hospital"

Os impulsionadores da obra, membros da direcção
da Misericórdia local- "clique" na imagem para ampliar

No dia em que reabre o Hospital de Vouzela (Unidade de Cuidados Continuados), propriedade da Santa Casa da Misericórdia, recordam-se pormenores da sua história e os tempos de uma outra inauguração: a de 1959, após alargamento e remodelação da chamada Casa de Cavalaria (núcleo central da actual unidade) que edificou a unidade de saúde que durante anos serviu a região.

Foi no ano em que Vasco da Gama chegou à Índia que se criou a Misericórdia de Vouzela: Agosto de 1498, na Sé Catedral de Lisboa, por premissão, consentimento e favor da Ilustríssima e mui Católica Senhora, a Senhora Rainha D. Leonôr e mulher do sereníssimo Rei D. João, o segundo (...)” (1).

O primeiro hospital veio mais tarde: em 29 de Junho de 1848. Chamava-se Hospital de São Sebastião, ou do Cimo de Vila, e localizava-se junto à Capela com o mesmo nome. Pelo que se lê no Notícias de Vouzela (1 de Fevereiro de 1959), o Provedor dessa altura era o “Senhor da Casa da Sernada”. Em 1873 tinha a Misericórdia ao seu serviço “dois médicos, um enfermeiro, um barbeiro fornecedor de sanguessugas e um sangrador”.

Em 17 de janeiro de 1894 é legada à Misericórdia a Casa de Cavalaria, sendo para lá transferido o Hospital, inaugurado em 24 de Junho desse ano pela rainha D. Amélia que, dois anos mais tarde, aceitou ser nomeada provedora honorária.

A 1 de Fevereiro de 1959, após grandes obras, foi inaugurada a unidade hospitalar que durante anos foi o principal serviço de saúde do concelho e, no dizer do provedor da altura (Dr. Guilherme Coutinho), “um dos melhores hospitais de província” do país. Tinha gabinete de radiologia, sala de operações (em 1958 tinham-se realizado 33 operações de grande cirurgia e 81 de pequena cirurgia) , enfermaria de adultos e de crianças, gabinetes de consultas.

Como não podia deixar de ser, o Notícias de Vouzela, com edição saída no dia da inauguração, dava grande destaque ao acontecimento. Nada menos do que quatro páginas numa edição de oito, com a última totalmente ocupada por fotografias dos melhoramentos. Para além dessas (e daquelas que aqui se publicam), as do Dr. Guilherme Coutinho e do Dr. Agostinho Fontes Pereira de Melo, “director clínico do Hospital durante cerca de meio século”.

No mesmo número registava-se o sucesso da "edição aérea" do jornal (em papel próprio, o que permitia ser distribuído por avião) e falava-se do avanço da electrificação de Ventosa, onde as primeiras casas se preparavam para o melhoramento. Foi há 49 anos, dois meses e sete dias.
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(1)- Todas as citações e fotos foram retiradas da edição de 1 de Fevereiro de 1959 do Notícias de Vouzela que, a partir do arquivo da Santa Casa publicou o trabalho “A Santa Casa da Misericórdia de Vouzela- Apontamentos para a sua história”.

sábado, abril 05, 2008

Boletim Polínico

Estamos na Primavera. Tradicionalmente motivo de festa, a ela estavam associados vários ritos de fertilidade. Era o fim das privações do Inverno e o acordar da Natureza. Hoje, é tempo de “Boletim Polínico”. Isso mesmo. Uma informação sobre pólenes para prevenir alergias, divulgada pelos mais variados órgãos de comunicação. Nada escapa nesta história: carvalhos, oliveiras, urtigas, alfavaca-de-cobra. Eu que até sou dos que espirram incessantemente, com um recorde de 158 seguidos sem parar, digo que é estranho. Muito estranho. Num tempo em que o pessoal passa a vida a “snifar” tubos de escape, é preciso que a Mãe Natureza se disponha aos actos da procriação para ouvir bradar “aqui d’El Rei que anda pólen no ar”. Então e os exofres, chumbos e outras porcarias que nos entram nariz dentro, sem cerimónia para com as estações do ano? Será que ninguém é alérgico à poluição atmosférica? Será que não se justifica um “boletim”, um alerta a isso associado? Ou será que nos sentimos tão impotentes que a única luta que acreditamos poder vencer é contra... o voo das abelhas?

quinta-feira, abril 03, 2008

Comboios

Foto: José Campos

Mal publicámos os primeiros textos defendendo a criação de uma opinião pública forte, favorável ao regresso do comboio, recebemos mensagens de apoio de algumas pessoas, realçando a importância dessa “ligação da região à Europa”. Para nós pode ser muito mais do que isso. Pode ser um elemento estruturante fundamental que acabe com a dependência em relação ao transporte rodoviário. Assim a saibamos aproveitar.

A partir do “Viseu, Senhora da Beira” tomámos conhecimento de um estudo datado de 2003, realçando a importância da ligação Aveiro-Salamanca, através de Viseu. Mais um documento para consulta e reflexão. De acordo com informações que nos chegaram, a obra vai avançar, devagarinho, com a ligação do Porto de Aveiro à linha do Norte. É pouco, mas não elimina o fundamental: ele vai voltar (já agora: vão tentar introduzir portagens na A25...)

Em defesa da Linha do Tua- petição



Conhecemos o estilo: deixa-se de investir, permite-se que alastre o desconforto e a insegurança e depois... acaba-se com a linha por tudo isso. Já vimos este filme. Neste caso, também está em causa a construção de uma barragem de necessidade duvidosa que vai acabar com uma das mais deslumbrantes paisagens do nosso país. Para além do comboio. Muito há a fazer para racionalizar, entre nós, o consumo de energia- nada conseguirá reproduzir o património paisagístico que se irá perder. Por isso mesmo, importa apoiar o Movimento Cívico pela Linha do Tua que tem a circular esta petição.

quarta-feira, abril 02, 2008

Decoração de interiores

Nicolas Persheid- 1901

Vale a pena ler a reflexão de Henrique Pereira dos Santos, a propósito da hipotética mobilidade dos funcionários do Ministério da Agricultura e publicada no Ambio. Assim se vê que a “decoração” não é a mesma para todos os “interiores”:

"E lembrei-me de que este Ministro é o mesmo que tem na sua mão a responsabilidade de formatar o apoio das políticas públicas ao mundo rural através da definição da regras de aplicação das formidáveis verbas que a política agrícola comum canaliza.Lembrei-me das discussões havidas na altura da definição destas regras. O Sr. Ministro preferiu apoiar os sectores competitivos da produção agrícola e agro-industrial com essas políticas públicas, deixando para a floresta o resto do país (que é muito mais que 50% do território, a grande maioria do qual nem sequer suporta uma floresta competitiva).Este Ministro preferiu alocar cerca de 11% dessas verbas ao projecto de Alqueva (ou seja, ao apoio ao turismo e olival intensivo, cuja importância económica não desprezo mas me parecem ser sectores que dispensam as ajudas públicas)".

Já agora, sobre as consequências da exploração intensiva do olival, recordar o aviso de Gonçalo Ribeiro Teles.

Quanto a soluções para combater a desertificação do Interior, talvez adaptar esta solução, pintando gente na paisagem. Nada que não tenha já sido testado nalguns estádios de futebol...

terça-feira, abril 01, 2008

Raios partam a publicidade

Numa tentativa de eliminar a incomodativa e abusiva publicidade que se instala nos nossos computadores sempre que entramos no "Pastel", vamos bloquear algumas das ligações da coluna da direita. Gostamos muito de janelas abertas, mas destas nem por isso. Como tudo depende das seguranças que cada um tem activadas, agradecemos que nos informem se notam diferença.

domingo, março 30, 2008

Lá estivemos, à espera

Resta a consolação de sabermos que isto ninguém nos tira (para já)

Pois lá estivemos nós, à espera do Sócrates de visita a uma empresa da região. E não lhe oferecemos pasteis. Ia para as energias alternativas e o que nós queríamos era uma política do mesmo tipo: alternativa. Não é que tenhamos grande esperança, diga-se, mas assim como assim, no meio de tanta trapalhada, tanta medida mal pensada, resta-nos tudo tentar para ver se nem tudo se perde.

Como já era de prever, mas nunca foi assumido, a central do INEM não consegue localizar as chamadas. Ou seja: se aquele que liga a pedir socorro não conseguir dar as coordenadas certas (por nervosismo, por não saber, por isto ou por aquilo), bem podemos encomendar a alma ao Criador. Era fácil de prever, toda a gente alertou para o facto, mas, pelos vistos, não constava do manual de instruções dos técnicos do Ministério da Saúde que estruturaram nessas milagrosas ambulâncias o sistema de auxílio a toda uma população.

Enfim, como por aí se diz, se nem uma porcaria de uma “Lei do cigarro” conseguiram fazer sem duplos sentidos, se o aviso de cem mil professores não bastou para que as iluminadas mentes governativas pensassem melhor no que estão a fazer, como é que queríamos que corresse bem a complexa reorganização dos serviços de saúde? Ainda por cima, visando umas modestas dezenas de milhares de cidadãos. Por isso resta-nos esperar. Pelo primeiro-ministro, entenda-se. Fazer-lhe uma marcação cerrada ao melhor estilo do defesa-central dos tempos em que, nas Chãs, as canelas faziam faísca.

E se disserem que somos um bando de comunistas instrumentalizados, ou um bando instrumentalizado pelos comunistas, não acreditem. Apenas também não o somos por quaisquer outros.

quinta-feira, março 27, 2008

É o “pogresso”, senhores

Qual gralha, qual erro ortográfico. É um elaborado conceito com escola feita em muitas autarquias e projectos governamentais. O “pogresso”, desta vez pela boca do Dr. Ruas, líder da Associação Nacional de Municípios e presidente da Câmara Municipal de Viseu. Ou, se quiserem, o betão como condição para o “desenvolvimento imaterial” (a partir daqui)

“Eu acho piada porque o betão tem servido para crítica, mas quando a gente vê reclamar grandes investimentos, toda a gente cai no betão. O betão é a condição indispensável para haver desenvolvimento imaterial. Só há desenvolvimento cultural se se fizer previamente betão, só há desenvolvimento intelectual se houver inicialmente betão”.