quarta-feira, abril 02, 2008

Decoração de interiores

Nicolas Persheid- 1901

Vale a pena ler a reflexão de Henrique Pereira dos Santos, a propósito da hipotética mobilidade dos funcionários do Ministério da Agricultura e publicada no Ambio. Assim se vê que a “decoração” não é a mesma para todos os “interiores”:

"E lembrei-me de que este Ministro é o mesmo que tem na sua mão a responsabilidade de formatar o apoio das políticas públicas ao mundo rural através da definição da regras de aplicação das formidáveis verbas que a política agrícola comum canaliza.Lembrei-me das discussões havidas na altura da definição destas regras. O Sr. Ministro preferiu apoiar os sectores competitivos da produção agrícola e agro-industrial com essas políticas públicas, deixando para a floresta o resto do país (que é muito mais que 50% do território, a grande maioria do qual nem sequer suporta uma floresta competitiva).Este Ministro preferiu alocar cerca de 11% dessas verbas ao projecto de Alqueva (ou seja, ao apoio ao turismo e olival intensivo, cuja importância económica não desprezo mas me parecem ser sectores que dispensam as ajudas públicas)".

Já agora, sobre as consequências da exploração intensiva do olival, recordar o aviso de Gonçalo Ribeiro Teles.

Quanto a soluções para combater a desertificação do Interior, talvez adaptar esta solução, pintando gente na paisagem. Nada que não tenha já sido testado nalguns estádios de futebol...

terça-feira, abril 01, 2008

Raios partam a publicidade

Numa tentativa de eliminar a incomodativa e abusiva publicidade que se instala nos nossos computadores sempre que entramos no "Pastel", vamos bloquear algumas das ligações da coluna da direita. Gostamos muito de janelas abertas, mas destas nem por isso. Como tudo depende das seguranças que cada um tem activadas, agradecemos que nos informem se notam diferença.

domingo, março 30, 2008

Lá estivemos, à espera

Resta a consolação de sabermos que isto ninguém nos tira (para já)

Pois lá estivemos nós, à espera do Sócrates de visita a uma empresa da região. E não lhe oferecemos pasteis. Ia para as energias alternativas e o que nós queríamos era uma política do mesmo tipo: alternativa. Não é que tenhamos grande esperança, diga-se, mas assim como assim, no meio de tanta trapalhada, tanta medida mal pensada, resta-nos tudo tentar para ver se nem tudo se perde.

Como já era de prever, mas nunca foi assumido, a central do INEM não consegue localizar as chamadas. Ou seja: se aquele que liga a pedir socorro não conseguir dar as coordenadas certas (por nervosismo, por não saber, por isto ou por aquilo), bem podemos encomendar a alma ao Criador. Era fácil de prever, toda a gente alertou para o facto, mas, pelos vistos, não constava do manual de instruções dos técnicos do Ministério da Saúde que estruturaram nessas milagrosas ambulâncias o sistema de auxílio a toda uma população.

Enfim, como por aí se diz, se nem uma porcaria de uma “Lei do cigarro” conseguiram fazer sem duplos sentidos, se o aviso de cem mil professores não bastou para que as iluminadas mentes governativas pensassem melhor no que estão a fazer, como é que queríamos que corresse bem a complexa reorganização dos serviços de saúde? Ainda por cima, visando umas modestas dezenas de milhares de cidadãos. Por isso resta-nos esperar. Pelo primeiro-ministro, entenda-se. Fazer-lhe uma marcação cerrada ao melhor estilo do defesa-central dos tempos em que, nas Chãs, as canelas faziam faísca.

E se disserem que somos um bando de comunistas instrumentalizados, ou um bando instrumentalizado pelos comunistas, não acreditem. Apenas também não o somos por quaisquer outros.

quinta-feira, março 27, 2008

É o “pogresso”, senhores

Qual gralha, qual erro ortográfico. É um elaborado conceito com escola feita em muitas autarquias e projectos governamentais. O “pogresso”, desta vez pela boca do Dr. Ruas, líder da Associação Nacional de Municípios e presidente da Câmara Municipal de Viseu. Ou, se quiserem, o betão como condição para o “desenvolvimento imaterial” (a partir daqui)

“Eu acho piada porque o betão tem servido para crítica, mas quando a gente vê reclamar grandes investimentos, toda a gente cai no betão. O betão é a condição indispensável para haver desenvolvimento imaterial. Só há desenvolvimento cultural se se fizer previamente betão, só há desenvolvimento intelectual se houver inicialmente betão”.

terça-feira, março 25, 2008

Em defesa da Reserva Ecológica Nacional-Petição

Já por diversas vezes reflectimos sobre o perigo que representa aumentar o peso das autarquias na gestão da Reserva Ecológica Nacional. Com um financiamento muito dependente da área urbanizada, as autarquias dificilmente resistem à tentação de promover uma maior privatização do território, destruindo este importante instrumento de planeamento. É verdade que a REN deve ser repensada e actualizada, mas é fundamental que continue a ser protegida. Com esse objectivo, está a circular uma petição: “Em defesa da Resrva Ecológica Nacional-REN” (onde chegámos a partir daqui). Vale a pena ler e reflectir. Vale a pena combater a indiferença.

segunda-feira, março 24, 2008

Tempo de folar

Como “em casa de ferreiro espeto de pau”, tivemos que pedir esta foto emprestada

Já o devíamos ter feito há mais tempo. Mas, a verdade é que, para nós, todos os dias são dias de folar. É daquelas coisas que estão sempre acessíveis. Mais do que um símbolo de passagem, entre nós está sempre disponível para os que passam.

O nosso é doce. Ligeiramente, ao princípio. Mais, à medida que entramos na massa e nos aproximamos do centro. Faz sentido dizer que é "o centro da questão", como uma nova vida a gerar-se no interior do ventre materno.

Pois aqui fica o convite para conhecerem o nosso folar. Para o efeito, uma pequena ajuda: é só “clicar” aí em baixo (página em fase experimental).

Onde ficar, o que comer

domingo, março 23, 2008

DIA MUNDIAL DA POESIA


Entre os muitos dias disto e daquilo passou-se o da poesia.
Convenhamos que, como os restantes dias disto e daquilo, todos os dias o deveriam ser.
Mas não quero deixar de aproveitar o ensejo para transcrever três poetas que me são caros:

ALBERTO CAEIRO
(O guardador de rebanhos – XLII)

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a acção humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
O sol é sempre pontual todos os dias.

ALEXANDRE O’NEILL
(Portugal - excerto)

Ó Portugal, se fosses só três silabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol o sul,
o ladino pardal
o manso boi coloquial
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

ANTÓNIO ALEIXO
(Quadras soltas)

Condecoro o Presidente...
E sabem porque razões?...
- Por ter posto a tanta gente
Tantas condecorações!


Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!

Prometem ao Zé Povinho
Liberdade, Lar e Pão...
Como se o mundo inteirinho
Não soubesse o que eles são!

E por aqui me fico. Leiam poesia e os dias serão mais doces.