domingo, fevereiro 24, 2008

Alterações na embalagem-II

"É a serra do Caramulo ou da Gralheira?"- foi a crítica maioritária ao anterior cabeçalho. Também houve quem dissesse que "os pastéis querem-se inteiros" e com isto ficou claro que a imagem não era perceptível, estava mal trabalhada, tinha uma incorrecta relação com as letras, em suma, somos uns nabos. Hoje apresentamos nova proposta porque uma coisa é certa: a maioria aprovou uma alteração ao cabeçalho mais personalizada. E como o produto mais elaborado ainda vai demorar no forno (ou, mais correctamente, na caldeira...), há que encontrar um entretanto. As críticas continuam a ser desejadas, mas lá em cima, na imagem da tesoura, ao alto na coluna da direita. Ah! Em resposta a vários pedidos também facilitámos os comentários. Avancemos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Chamem-lhe metro de superfície

Os municípios de Viseu, S. Pedro do Sul, Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga, Águeda e Albergaria-a-Velha, vão candidatar ao QREN a construção de uma Ecopista com uma extensão de 75 quilómetros. A obra tem um investimento previsto superior a 5 milhões de euros e terá como base a antiga linha do Vale do Vouga.

Os pormenores podem ser procurados no Notícias de Vouzela (clicar no nome), mas interessa também ler o comentário do Viseu, Senhora da Beira, a cuja opinião nos juntamos. De facto, a maior parte destas autarquias ou não percebe ou menospreza as consequências (inevitáveis, a médio-prazo) de estar completamente dependente do transporte rodoviário, sem resposta para as previsíveis dificuldades que lhe irão ser colocadas. Sobretudo parece não perceber ou menosprezar o jeito que nos dava o regresso do comboio, quer para enfrentar as limitações que se adivinham, quer como elemento de apoio a uma actividade turística capaz de satisfazer uma potencial clientela de elevado poder de compra, mas de idade cada vez mais avançada (ver aqui).

Nada temos contra as ecopistas, muito pelo contrário. Mais: se essa é a única forma de salvar um conjunto de “obras de arte” associadas ao antigo caminho de ferro, venha a Ecopista. Mas não temos quaisquer dúvidas de que esta seria a altura certa para reivindicarmos uma ligação ao litoral por via férrea. E se o comboio não soa suficientemente “modernaço” e pomposo aos senhores autarcas, chamem-lhe... “metro de superfície”.
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Já agora, se o objectivo da Ecopista também é animar um certo turismo, que sentido faz abrir bares que substituem visitas às localidades, vão estar fechados a maior parte do ano e vão representar custos adicionais?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

“Só o homem morre de não ser quem era” (*)

Já tínhamos lido na “Gazeta da Beira”, lemos novamente no “Negrelos online”: o Cénico- Grupo de Teatro Popular de São Pedro do Sul, corre o risco de acabar. Mau sinal. Pode fechar tudo, podem encerrar tribunais e centros de saúde, pode a crise roer-nos até às entranhas, mas se desistimos de pensar, de procurar respostas, de sonhar, é a morte que se aproxima. E em Vouzela, a nova sala de espectáculos permanece fechada...
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(*)- Jorge de Sena

As coisas que se dizem

Vou ser sincero. Da última vez que recusámos a nomeação para o Nobel lembraram-se do Barroso para o “da Paz”. Nunca mais recusámos coisa nenhuma. Desta vez, foi a simpatia do Notícias d’Aldeia que se lembrou de nós. Diz-se muita coisa e ele diz “que até nem somos um mau blog”. Enfim, tem dias, mas lá está: não recusamos a distinção.

Como as regras desta cadeia blogosférica requerem que nomeemos sete referências, assim ao estilo “passa ao outro e não ao mesmo”, privilegiamos os regionais: A Ilusão da Visão, a Avenida Central, Viseu, Senhora da Beira e o recente (mas com uma colecção de imagens que nos põe roidinhos de inveja) Postal de Vouzela. Numa votação realizada entre a malta da redacção, obtiveram o título de “blogues diariamente lidos para não morrermos estúpidos” o Ladrões de Bicicletas, o Arrastão e o Blasfémias, o que prova a nossa tolerância, abertura de espírito e lugares-comuns do género.

Ficaram de fora todos os que se relacionam com objectivos comerciais (apesar de muito bons) e a votação foi rigorosamente respeitada, tendo afastado blogues fantásticos como o Zero de conduta, o Memória Inventada e alguns mais, o que me irritou profundamente- mas aqui não se aplica o princípio da Lei Eleitoral para as autarquias.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Ainda os projectos de Sócrates: a banalização do desordenamento

"Pouca-terra, pouca-terra"... e tão maltratada

Os famosos projectos de engenharia de José Sócrates continuam a dar que falar, pondo a nu o país em que nos tornámos. Se os defensores do primeiro-ministro tentam desviar atenções e vender teorias da conspiração, também os críticos têm "jogado curto", limitando-se, na maior parte dos casos, a uma abordagem superficial da atitude do engenheiro, sem a relacionarem com as práticas que levaram ao generalizado desordenamento do nosso território. Será que por tão frequentes já todos as aceitam?

Em nossa opinião (já aqui publicada no texto “Tens mau gosto, pá”), a atitude de Sócrates merece a condenação pública, independentemente de estarmos a falar do primeiro-ministro e antigo responsável pela pasta do Ambiente- estes pormenores apenas agravam um problema que existe para além deles. Também é condenável, independentemente da atitude intimidatória que ele adoptou para com o jornalista e o jornal que fez e publicou a investigação. Neste caso, estamos perante um segundo problema, tão ou mais grave do que o primeiro.

Temos um país inteiro cheio de marcas de “engenharias” como as de José Sócrates. Elas foram possíveis, devido à indiferença generalizada perante os mais elementares princípios do ordenamento do território e, nalguns casos, ao mau funcionamento (propositado ou não) da fiscalização. Tudo isso num tempo em que o “boom” do imobiliário era a base do nosso crescimento económico, chegando a enquadrar cerca de 30% da nossa população activa, o que lhe permitiu adquirir privilégios em todos os patamares da administração local e central. Já começámos a pagar a factura.

Nos casos dos projectos do engenheiro Sócrates, estamos perante apontamentos mais ou menos isolados, quase só relacionados com habitações individuais. Mas são conhecidos casos mais mediáticos, envolvendo obras públicas, com erros monumentais, cuja solução está a ser paga com dinheiros públicos. A má definição do traçado do antigo IP5 e o metro do Terreiro do Paço são apenas exemplos, a que podemos juntar todas as obras em que, por erros de planeamento e desrespeito de normas, Portugal foi condenado em instâncias internacionais. Ora, esta socialização dos prejuízos de obras que apenas beneficiaram privados, foi o resultado final do mau funcionamento dos serviços, do tornear das imposições legais e de uma concepção de território de que os projectos de Sócrates são um exemplo.

Até agora, nunca vimos pegar o problema por este lado. Tem havido, até, uma espécie de pudor em agarrar no assunto por parte da generalidade dos partidos políticos, contribuindo para o simplismo do “eles são todos iguais”. É como se os problemas do desordenamento do território se tivessem tornado tão banais, que já ninguém liga.

A imagem que ilustra este texto refere-se a uma situação real, aqui de Vouzela. O prédio que parece ser o alvo da locomotiva está construído em cima do que foi a linha do comboio, num contraste chocante com toda a envolvente. Garantem-nos que a Câmara da altura, quando se apercebeu do erro, tentou emendá-lo, estudando a hipótese de indemnizar os proprietários do prédio. Impossível devido aos valores envolvidos. E o prédio lá está e a agressão à paisagem, também. Alguém lucrou, perdemos todos nós. O mesmo dizemos dos projectos de Sócrates.

domingo, fevereiro 17, 2008

Alterações na embalagem

Nos próximos tempos o Pastel de Vouzela vai fazer algumas alterações à embalagem, que é como quem diz, à imagem do blogue. Um ano e dois meses após termos iniciado, é tempo de conseguirmos algo feito por medida, menos pronto- a- vestir. A ver vamos se o conseguimos, a partir da "prata da casa" e da ajuda de outros que sabem comer o pastel. Vamos começar por cima, experimentando vários cabeçalhos, sempre com o genuíno Pastel de Vouzela (claro!) como tema de fundo. Depois, logo se vê se as “economias” chegam para mais. Há livro de reclamações, que é o mesmo que dizer que se agradecem críticas.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Boas notícias

Em Vouzela

De vez em quando temos surpresas destas. Gente que por aqui passa e decide deixar registo do muito que isso lhe agradou. Foi o que fez o autor desta sequência pescada no YouTube e que nos despertou uma enorme vontade de procurar o som do silêncio. Influenciados pela harmonia dos espaços, só vamos dar boas notícias. Sem perdermos de vista o Caramulo.

Lemos no Notícias de Vouzela (14/02/2008) que o actual bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Marinho Pinto, se manifestou esperançado na manutenção do Tribunal em Vouzela. Que assim seja. E que os responsáveis locais percebam, de uma vez por todas, que devem abandonar “querelas de paróquia” e assumir o conjunto da região de Lafões no planeamento dos serviços.

A Associação de Desenvolvimento Dão, Lafões e Alto Paiva e a Sociedade Portuguesa de Inovação apresentaram, em Vouzela, o Plano “Território Dão, Lafões e Alto Paiva- Perspectivas de Desenvolvimento”, a desenvolver até 2015. De acordo com o Notícias de Vouzela (07/02/2008), um dos autores do estudo, Pedro Saraiva, terá afirmado: “Este território tem que ser visto como um interface vivo, inovador e criativo, onde o rural e o urbano se complementam, tirando-se assim o melhor de dois mundos”. Está desde já convidado para integrar a equipa do Pastel de Vouzela.

A Câmara Municipal continua a tentar que lhe seja cedida a propriedade do edifício do antigo quartel da GNR de Vouzela. Se não estamos em erro, foi erigido a partir do traço do mestre local Guilherme Cosme que bem merecia que lhe preservassem a memória. Perdida a oportunidade de o fazer com a Pensão Jardim, o antigo quartel pode ser um bom pretexto.

O governo parece ter recuado na decisão de atribuir aos autarcas maior poder na definição da Reserva Ecológica Nacional. Para já, só o Dr. Ruas manifestou o seu desagrado, dizendo que bastava que o governo dissesse “o que é ecológico e o que não é”. E com isto disse tudo, nomeadamente sobre o perigo que representa dar-lhe mais poderes na matéria.