terça-feira, fevereiro 05, 2008
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
E dizem que o povo é quem mais ordena
Pelo que lemos no Público de 2 de Fevereiro, até a Associação Nacional de Municípios considera isto excessivo. De facto, como justificar que uma maioria de 59% numa assembleia municipal não possa inviabilizar uma proposta de executivo? Como justificar que a mesma maioria, tendo em conta a nova metodologia de eleição única, não possa assumir a direcção do município?
Recorde-se que um dos argumentos avançados na defesa do novo diploma, foi o de se prever um reforço do “poder legislativo” sobre o “executivo”, ou seja, das assembleias municipais sobre a vereação. Não se percebe como. Para o conseguirem, seria necessário fornecer-lhes poderes e meios (tempo para estudarem os projectos, apoio técnico, etc.). Nem uma coisa, nem outra.
Além de tudo o resto, como diz Vital Moreira, o projecto nem prevê “a possibilidade de destituição dos executivos autárquicos por moções de censura, o que constitui uma notória violação dos mais elementares princípios da responsabilidade democrática dos órgãos executivos perante as assembleias representativas de que dependem”.
Enfim, nada de pânico. Parece estar garantido que, tal como o Natal, uma vez por ano continuaremos a ouvir que “o povo é quem mais ordena”.
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Zé Bonito
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sábado, fevereiro 02, 2008
"edificios que son a expresión dunha sociedade desnortada"
(Imagem retirada da edição do Público de 1 de Fevereiro)
Já tem nome e fórum (ver aqui, onde chegámos a partir daqui). É o “feísmo” , estudado na Galiza, chamando os bois pelos nomes: “el ‘feísmo arquitectónico, urbanístico o paisajístico’ se entiende como todas aquellas construcciones o obras humanas que degradan de algún modo su entorno”. Por cá conhece-se o fenómeno mas modera-se o verbo. Eram as “casas dos emigrantes”, as “maisons com janelas à la fenêtre”. Entretanto, abrandava a emigração mas continuavam as casas e as costas largas dos emigrantes. Projectos sem qualidade, muitas vezes feitos por gente desqualificada, alimentaram o vale tudo da especulação imobiliária. E deixaram a imagem desleixada que atravessa o país de norte a sul.
Esmiuçando o conceito, há quem diga: "Non estou moi de acordo con ese termo. Os edificios non son feos, senón malos. Hai xente que e fea, sen faccións perfectas, non é bonita, pero en cambio e verdadeira, auténtica. Son edificios que son a expresión dunha sociedade desnortada, atrapada na especulación e o mal gusto"(1) . Podes crer.
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(1)- Cesar Portela Femández-Jardón, Arquitecto, sublinhados nossos.
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Trinta e três
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quarta-feira, janeiro 30, 2008
É pouco, senhor Primeiro-Ministro
Cartier-Bresson, Diep, 1926 Já o Presidente da República se tinha interrogado sobre os motivos que fazem nascer tão poucas crianças em Portugal. Como normalmente acontece, há a tentação para responder com dinheiro a problemas que exigem respostas bem mais alargadas e que inevitavelmente põem a nu o desordenamento do nosso território.
Quando se diz que a maior parte da população portuguesa se concentra nas cidades do litoral, simplifica-se uma realidade bem mais complexa. Na verdade, ela limita-se a uma existência suburbana, quer na localização, quer no modo de vida. Não é nos centros de Lisboa, Porto, Setúbal... mas sim nas áreas de expansão desses núcleos que se concentra a grande maioria dos portugueses. As causas são conhecidas e têm que ver quer com a desestruturação de certas actividades que agravaram o êxodo rural e o desemprego, quer com a especulação imobiliária que retirou vida dos centros. Como alternativa, “urbanizaram-se” as periferias, criando uma oferta residencial mais acessível, mas sem estruturas de apoio com capacidade de resposta para o fluxo da procura.
Daqui resultaram alguns dos maiores dramas da nossa triste realidade. Por um lado, um número imenso de famílias obrigado a grandes, caras e penosas deslocações casa-trabalho-casa, vivendo sobre a constante ameaça do desemprego, sem espaço para esses “luxos” da vida familiar. Por outro, um número significativo que sobrevive à custa dos apoios sociais, transformados, na falta de actividades económicas que integrem as pessoas, em objectivos últimos da existência. Em qualquer dos casos, poucas ou nenhumas condições existem para trazer crianças ao mundo. E, tal como está mais do que demonstrado, se a situação não é pior, isso deve-se à ignorância que vai mantendo diversas situações de gravidez não planeada, nem desejada.
Apresentando números relacionados com 2006 (ainda não foram tornados públicos os números para 2007), a Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco divulgou ter havido, em todo o país, a abertura de mais 10 mil processos do que no ano anterior. O principal motivo que levou à abertura desses processos, foi a “negligência”. Seria interessante saber a dimensão dos casos que, sob esse rótulo, mostram realidades de abandono forçado, como a das “crianças com chave”(1) que começa a assustar grande parte dos países desenvolvidos.
Perante isto, acreditar que trezentos e não sei quantos euros podem melhorar a situação, ou é ingenuidade ou hipocrisia. Nenhuma família trabalhadora (e estamos para ver quais os limites do apoio) vai sentir, por isso, maior segurança para criar os filhos. Do que elas precisavam era de maior estabilidade, de mais tempo para si, coisas que não basta dinheiro para conseguir.
Pelo contrário, a medida arrisca-se a ser canalizada para famílias desestruturadas, sem condições para integrarem e educarem crianças. Famílias para quem os serviços sociais têm sido impotentes para mudar a existência. A partir de agora vão proporcionar-lhes mais uns quantos euros, durante quatro meses. E crianças em perigo por muitos anos.
Não é por falta de um qualquer abade de Trancoso que têm nascido menos crianças em Portugal. Nem por egoísmo. É pelo facto de muitos portugueses terem falta de qualidade de vida. Para resolver o problema, não basta dinheiro. Por isso é pouco, senhor Primeiro-Ministro. Muito pouco.
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(1)- Problema que consiste na existência de um grande número de crianças forçadas a passar a maior parte do tempo sem a supervisão de um adulto, o que as leva a ter chave de casa.
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Zé Bonito
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terça-feira, janeiro 29, 2008
Por dificuldades de expressão
Ao ler Vital Moreira, interrogo-me por que motivo os “media” podem servir para promover políticos e não para os derrubar. Como se previa, Correia de Campos caiu. Não tanto pelas reformas que pretendia concretizar, mas pela forma ligeira como as organizou e pela insensibilidade perante as preocupações da população. Até pode vir a ser condecorado, mas fica como o ministro que tombou por... dificuldades de expressão.
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Zé Bonito
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sábado, janeiro 26, 2008
Crash!
É o som de algo a partir e que baptiza a quebra de funcionamento de sistemas (informáticos, económicos). E da confiança....
Crash-1
Numa altura em que Correia de Campos decidiu, finalmente, estudar um pouco de Geografia e criar um Serviço de Urgência Básica em São Pedro do Sul, eis que os presidentes das câmaras de Oliveira de Frades e de Vouzela decidem levantar o conflito da localização (ver aqui). Até se reconhece alguma razão no que dizem sobre a facilidade dos acessos. O que não se pode aceitar é o tom de “querela bairrista” com que o fizeram, dificultando que a região de Lafões se assuma como realidade una. Ou será que acreditam que, cada um por si, os concelhos de Oliveira, Vouzela e São Pedro têm força para o que quer que seja?
Crash-2
Os tristes acontecimentos de Alijó confirmaram os receios de todos quantos conhecem o Interior. Para além das limitações de meios, eram de prever dificuldades de comunicação entre a população e o INEM e entre este e os bombeiros. Mas, pelos vistos, tais evidências não estavam previstas nos cenários traçados pelo ministro Correia de Campos. Ou estavam e o encerramento de serviços, sem alternativas, apenas visa criar mercado para respostas privadas? Como aconteceu em Chaves após o encerramento da maternidade...
Crash-3
Já que falamos em cenários, aproveitamos para registar uma dúvida que nos tem atormentado. Perante a existência de uma só daquelas fantásticas ambulâncias que quase parecem um hospital, se acontecerem, em simultâneo, um acidente grave, um AVC e um enfarte, que dizem os regulamentos sobre a escolha... dos dois que vão morrer?
Crash-4
Lemos no “Abrupto” as últimas da ASAE: é proibido vender milho para dar às galinhas, a não ser em sacos de cinco quilos. Parece que alguém que presenciou o momento em que o inspector da ASAE multava, por isso, um pequeno supermercado de província, reagiu: “Como é que as velhas que vêm aqui todos os dias comprar um bocado de milho para as galinhas podem agora com um saco de cinco quilos? Só se acabarem com as velhas.” Ora aí está a solução para o problema. Acabar com as velhas, e mais: adoptando o estilo que parece ter sido usado pela ministra da Educação, acabar com os “professorzecos”, com os “doentezecos”, com os “portuguezecos”. Ou então, respeitar as estatísticas e acabar com os “politicozecos” (ver aqui).
Esperança
Há vinte e seis dias que resistimos a comentar a lei do cigarro. Se continuarmos assim, vamos conseguir deixar de escrever.
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quinta-feira, janeiro 24, 2008
Tempos de pesca
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Confirma-se que São Pedro do Sul vai ter um Serviço de Urgência Básico. Valeu a pena termos agitado as águas.
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Zé Bonito
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