quarta-feira, setembro 26, 2007

"(...) dos homens pouca história reza, mas reza"

Todas as crónicas do Manel em destaque, na secção "Caixas de dúzia", na coluna da direita.

“Importa reter que em Vouzela a sabedoria das pedras é tanta que dos homens pouca história reza, mas reza...”

4- Feito homem- 26 de Setembro de 2007

3- “Olho para ti”- 19 de Dezembro de 2006

2- “Quando somente pensar é aprofundar a tristeza...”- 18 de Dezembro de 2006

1- Da Feira ao Monte Cavalo- 06 de Dezembro de 2006

domingo, setembro 23, 2007

Haja respeito pelos Bombeiros Voluntários de Vouzela

É tempo de acabar com o triste espectáculo em que envolveram os Bombeiros Voluntários de Vouzela. Devido a um conflito com uma ex-funcionária (ver aqui e aqui), o tribunal de Trabalho de Viseu condenou a instituição a pagar uma indemnização de mais de 100 mil euros. Como forma de executar a medida, foi ordenada a penhora das verbas provenientes da autarquia e da Administração Regional de Saúde. Resultado: não só está em causa a operacionalidade dos bombeiros, como se vai ao ponto de anunciar o fim da instituição. Inadmissível!

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vouzela tem 122 anos de existência, com muitos serviços prestados ao concelho e constituindo, ainda hoje, a maior escola de cidadania para os seus jovens (talvez as "outras escolas" tivessem a ganhar numa maior colaboração...). Ao seu serviço, alguns deram a vida na defesa de pessoas e bens. Não se admite, pois, que se assista ao espectáculo público humilhante que se tem arrastado pela comunicação social.

Claro que Vouzela está a pagar o preço da apatia. A falta de estímulos à participação activa dos seus cidadãos nas mais diversas áreas, traduz-se agora na dificuldade em mobilizá-los. No entanto, é isso que urge fazer, já que a decisão do Tribunal, independentemente de outras medidas que venham a ser tomadas, tem que ser cumprida. Façam-se reuniões por freguesia, que cada vouzelense se torne sócio de acordo com as suas possibilidades e, sobretudo, que não se perca tempo com pormenores mesquinhos. As direcções substituem-se, as dúvidas esclarecem-se, mas a instituição continua.

Por uma vez, inverteram-se os termos: são os bombeiros que precisam de nós. Há que responder com prontidão. E, já agora, por que esperam os responsáveis autárquicos para tomarem a iniciativa da mobilização necessária? Isto sim, é serviço público.

sexta-feira, setembro 21, 2007

E ainda não acabaram as vindimas...

Retirado da 1ª página do Notícias de Vouzela (20/09/2007)

quinta-feira, setembro 20, 2007

Uma questão de prioridades

Imperdível o texto de Pedro Almeida Vieira no seu "Estrago da Nação". Convém saber como é feita a fiscalização da água que consumimos e qual a ordem de prioridades de quem nos governa. Como apoio à leitura, recordamos que as suiniculturas de Leiria têm presença frequente na comunicação social, pelas descargas que fazem para a ribeira dos Milagres. Pelos vistos, a água só será uma prioridade quando for privatizada.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Aquilino Ribeiro

"Quando comecei a pôr vulto no mundo, meus fidalgos, era a porca da vida outra droga. Todas as semanas contavam dias de guarda e, por cada dia de guarda, armava-se saricoté nos terreiros. Não andaria Nosso Senhor de terra em terra- eu cá nunca me avistei com ele- mas a verdade é que a neve vinha com os Santos e as cerejas quando largam do ovo os perdigotos. Bebia-se o briol por canadões de pau até que bonda. Um homem mesmo com os dias cheios tinha pena de morrer.
Não tenho cataratas nos olhos, ainda que me hajam rodado sobre o cadáver quase dois carros de anos, mas os dias de hoje não os conheço. Ponho-me a cismar e não os conheço. E, quanto mais cismo, mais dou razão ao Miguelão da Cabeça da Ponte, que falava como livro aberto, o grande bruxo. Muitas vezes lhe ouvi dizer quando estava em boa lua, o que nem sempre assucedia:
- Tempos virão em que governarão as terras vãs e os filhos das barregãs".

- O Malhadinhas, 1992

Aquilino Ribeiro, beirão de gema (que frequentemente visitava em Calvos, Fataúnços, o seu amigo Professor Moreira de Figueiredo), entrou hoje para o Panteão Nacional. Muito provavelmente, a cerimónia ser-lhe-ia indiferente. Mas não a justiça do acto.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Rua da Ponte

Vista geral (juramos que a foto foi retirada daqui, apesar do endereço estar desactivado)

Igreja de São Frei Gil e início da rua com o mesmo nome (imagens da Região de Turismo Dão Lafões)

Casa dos Távoras e pormenor da rua. Em frente, a mancha verde da Costeira (fotos de José Campos e da Região de Turismo Dão Lafões)

Ponte romana sobre o rio Zela (fotos de Vouzela, Antiga Capital de Lafões e Seus Arredores e da Região de Turismo Dão Lafões)

Fonte da Nogueira. Imagem dos anos 60 (José Campos)

Desenvolve-se pelas duas margens do rio Zela e é um dos mais antigos núcleos populacionais que deram origem à vila. Vulgarmente conhecida por Rua da Ponte ou Bairro da Ponte, é um exemplo perfeito da harmonia entre a vegetação luxuriante e as solenes edificações em granito. É, também, um encontro com três pilares da memória dos homens: Fé, História e Lenda. Começa na Igreja de São Frei Gil (ver também aqui), continua pela rua com o mesmo nome, passa o rio por uma ponte romana e termina na Fonte da Nogueira, refúgio de moura encantada que faz cair de amores todos quantos nela bebam. Pelo caminho encontram-se casas brasonadas de diferentes épocas, destacando-se a que terá pertencido aos Távoras- ostenta, ainda, o seu brasão picado, preço menor do muito que pagaram pelos azedumes do Marquês de Pombal.

Visita obrigatória para os que queiram conhecer Vouzela, aqui se encontra (ainda) o segredo da harmonia que outrora dominou toda a região: a envolvente verde da zona da Costeira, realça o edificado, mas impõe o domínio da natureza. Com pouco tempo para estes pormenores, os poderes locais já lhe quiseram acabar com o estilo, projectando-lhe estradas e urbanizações. Não sei se por influência do santo, se da moura, não conseguiram. A conhecer enquanto dura.
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PS: As imagens foram colhidas nos anos 30, 60 e na actualidade.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Lá se vai a paisagem...

No Guia de Portugal, editado pela primeira vez nos anos vinte pela Biblioteca Nacional, Amorim Girão escrevia a propósito de Lafões :

“(...) a paisagem da região lafonense, de tão acentuada beleza policrómica (...) pode distingui-la das regiões vizinhas. Os seus campos de cultura, xadrezados pelos comoros de divisão da propriedade, onde a vinha se abraça às árvores de fruto, e emoldurados ainda pelas matas de pinheiros, carvalhos e castanheiros que revestem as maiores elevações do terreno, oferecem, com efeito, ao turista um espectáculo sem dúvida interessante: um pequeno retalho do Minho perdido em plena região montanhosa da Beira Central”.
- retirado da edição feita pela Fundação Calouste Gulbenkian, 3º volume, 1985.

Em Portugal Património, edição deste ano do Círculo dos Leitores, coordenada por Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo, pode ler-se na introdução ao levantamento apresentado para o território entre Oliveira de Frades e Sever do Vouga (Leste):

“O coberto vegetal, quer nas áreas baixas que se desenvolvem a oeste, quer nas faldas da serra, tem sido progressivamente tomado pela plantação extensiva de eucalipto, que se impõe na paisagem, tornando-a monótona. Apenas algumas áreas aplanadas no fundo dos vales ou no cimo dos interflúvios apresentam mosaicos agrícolas, com hortas e pomares, ou então com pastagens. O povoamento é disperso, com a maioria das aldeias quase despovoadas”.
- in volume III, pág. 128.

De referir que, neste volume, já é feito um levantamento do património de algumas freguesias do concelho de Vouzela: Alcofra, Cambra, Campia, Carvalhal de Vermilhas e Paços de Vilharigues.