Os maiores
Nós gostamos destas coisas: a maior árvore de Natal, a maior feijoada, a maior não sei o quê. Desta vez, conseguimos a “maior central fotovoltaica do mundo”! Os especialistas que avancem com as explicações, mas a mim cheira-me a complexo. Na verdade sempre quisemos ser a Espanha e confundimos tamanho com qualidade. Enfim, nem me fica bem estar a falar nestas coisas.
Pois a nossa “maior central”, localizada em Serpa, são sessenta e não sei quantos hectares de painéis solares (52 mil), com uma potência de 11 megawatts (MW). Melhor do que isso, brevemente o concelho de Moura irá receber outra com uma potência de 62 MW. Digno de registo, sem dúvida. Só não percebo porque é que ninguém faz aquela pergunta que desde logo ocorre: porquê só agora?!!!
Portugal tem condições privilegiadas para a produção de electricidade a partir do Sol. É daquelas coisas que nos acontecem: nada fizemos para isso, nem dependeu de um qualquer governo. Foi, muito simplesmente, um brinde que a “Mãe Natureza” decidiu oferecer-nos, logo, resultou. Já Byron se espantava com o fenómeno: “Why, Nature, waste thy wonders on such men?”- os “such men” éramos nós, mas também consta que tinha levado nas trombas de um marido ciumento... Bom, a verdade é que até agora, pouco se fez para aproveitar a vantagem climatérica, muito menos do que outros de muitas nuvens, como a Alemanha, o Reino Unido, a Suécia ou a Finlândia.
O mesmo se passa, com as pequenas instalações individuais que, na opinião de muitos, é preferível às grandes centrais. Parece que os novos regulamentos para a construção, obrigam à instalação de painéis solares nos edifícios que venham a ser construídos, mas, também aí, estamos com um considerável atraso em relação à Europa do frio e dos nevoeiros. Em 2005, Tínhamos 16 mil metros quadrados de painéis instalados, enquanto a Alemanha já andava pelos 980 mil e a Áustria pelos 240 mil.
Por cá, a construção civil insiste em limitar-se ao amontoar de tijolos e abertura de roços, indiferente às inovações tecnológicas que, nos materiais e nas técnicas, procuram soluções que permitam um menor consumo de energia. Vão aí ao “Google” e pesquisem, na língua que quiserem, “materiais de construção alternativos”, “eco-casa”, “casa inteligente”, etc. Se optarem pelo Português, a maioria sai com sotaque do outro lado do Atlântico... mas, são milhares e milhares os resultados obtidos. Pelos vistos, o “Choque tecnológico” ainda não chegou à nossa “malta do betão”. Estranho. Ou talvez não, já que neste campeonato dos “maiores”, estamos muito longe do pódio no que diz respeito à organização, ao planeamento, à antecipação. Arriscamo-nos, mesmo, a sair com a coroa dos “maiores tansos”, caso nos falte a “energia” para "cortar o pio" de uma certa gentinha que eu cá sei e que já no tempo do grande Eça, tinha rigorosa classificação: "umas bestas!"






