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segunda-feira, agosto 26, 2013

Demolir, porquê?

Pedimos a foto emprestada ao Ivo Madeira

Lemos no "Notícias de Vouzela" que a Câmara Municipal notificou os proprietários da casa que se mostra na imagem para intervirem, tendo em conta os sinais de degradação que se têm acentuado. Tudo normal, não tivesse sido apresentada como alternativa... a demolição. Demolição, porquê?

Este edifício integra um conjunto ainda com alguma harmonia, fronteira com  zonas da vila onde, desde há muito, o disparate é rei. Ele próprio integra alguns elementos característicos de um certo tipo das nossas construções em pedra. Ora, o mais elementar bom senso aconselharia a que os serviços técnicos duma terra que diz ter pretensões turísticas, não só tudo fizessem para o preservar, como informassem os seus proprietários sobre o modo de o adaptar às exigências atuais. Pelo contrário, pelo que lemos no "Notícias de Vouzela", parecem antes disponíveis para alargar o espaço da asneira.

Já há muito que alertamos para a importância de se protegerem marcas da nossa identidade, sobretudo quando se sabe que o maior trunfo de toda a região é a paisagem e o maior trunfo de Vouzela é o equilíbrio que ainda mantém entre o património natural e o edificado. Qualquer projeto turístico só terá viabilidade se assentar nesses pilares e tiver consciência de que ninguém nos procura para estar fechado entre quatro paredes, por melhor que seja a animação- disso, há melhor bem mais perto dos grandes centros. Por isso mesmo, é da máxima importância tudo o que possamos fazer para preservar os nossos aspetos mais característicos e não os limitar a essas espécies de disneylândias do antigo que dão pelo nome de "centros históricos".

Os serviços técnicos duma Câmara Municipal, naturalmente dependentes das orientações da sua direção política, têm que ser o melhor centro de recursos que alerta, aconselha, encontra soluções ao serviço do interesse coletivo. Não precisamos de recuar muitos anos, para recordarmos situações em que, em Vouzela, alguns projetos "popularuchos", do agrado das estratégias políticas do momento, foram travados por quem, na altura, soube usar os seus conhecimentos. Na situação atual, pelo contrário: ou os serviços técnicos têm informações (que desconhecemos) que possam justificar a demolição do edifício, garantindo a defesa e o melhoramento do conjunto lá existente, ou arriscam-se a serem, eles próprios, encarados como um dos (muitos) problemas que Vouzela tem que resolver.

quinta-feira, agosto 01, 2013

Vouzela na "Illustração Portugueza" com referências à "Monarquia do Norte"


Illustração Portugueza, II série, Nº 684, 31 de Março de 1919, pág. 256, (Hemeroteca Digital, p.p. 18 e 19) - clique nas imagens para ampliar

Através do Facebook, o Prof. Jean-Pierre Silva alertou-nos para esta publicação da Illustração Portugueza. Trata-se de um  trabalho de divulgação da terra, com as tradicionais referências aos aspetos mais pitorescos. Mas, o mais curioso é a alusão feita aos "últimos acontecimentos", nem mais nem menos que os que a História regista com a designação de Monarquia do Norte. Tratou-se de uma tentativa de restaurar a monarquia, na sequência da situação criada com o assassinato de Sidónio Pais e que teve largo apoio, sobretudo, no norte do país. Vouzela é, habitualmente, referenciada no grupo apoiante desse movimento. Ora, pelo que se lê no artigo da Illustração, as coisas não se passaram bem assim. Não só há referência a grupos de civis, "fieis às instituições republicanas", a guardarem a ponte do caminho de ferro, como se termina com um aberto elogio coletivo: "(...) foi esta vila uma d'aquelas que mais valiosos serviços prestou à causa republicana nos últimos acontecimentos". Aqui está um assunto a merecer maior atenção futura.

Destaque, também,  para as imagens que ilustram o artigo. Cinco delas (não sabemos quais), são anteriores à data da elaboração do texto, já que eram apresentadas como oferta de uma "senhora muito modesta, que deseja ocultar o seu nome". De qualquer modo, chamamos a atenção para a que mostra uma avenida João de Melo de menor densidade e uma alameda (atual jardim) que mais não era que um prolongamento do espaço onde se realizava a feira.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Foto grafias

Foto de Guilherme Figueiredo, 2012

Nunca faltaram fotógrafos por estas paragens e talvez não seja por acaso. Homem e natureza juntaram-se, durante séculos, criando uma paisagem tão rica de pormenores que nos leva a entender cada momento como único e irrepetível. Por isso, somos tentados a guardá-lo. São ângulos para que se olha mil vezes e mil vezes nos apresentam algo de novo. Guardemo-lo, pois. Mais uma vez.


sexta-feira, janeiro 25, 2013

Um grande evento e uma importante lição

É já este fim-de-semana que se realiza, em Vouzela, o III Cinclus- Festival de Imgem de Natureza (consulte o programa, aqui). Criado pelo "nosso" João Cosme, é um exemplo das iniciativas que podem ajudar a promover a região e a contribuir para se organizar um calendário de atrações equilibradamente distribuído por todo o ano.

Não alimentemos ilusões. Os pasteis de Vouzela são um marco do nosso património gastronómico há muito reconhecido, mas não chegam para garantir um fluxo satisfatório de visitantes com significativo impacto nas algibeiras locais. O salto que é urgente dar, tem que encarar Vouzela, ela mesmo, como o principal "produto", com diversos centros de interesse associados às suas muitas potencialidades e com oferta bem distribuída, de modo a evitar as limitações da sazonalidade. Gastronomia, paisagem, património edificado, atividades tradicionais, podem servir para muito mais do que para animar passeios turísticos em épocas de temperaturas amenas.

Recorrendo a um dos muitos estudos sobre estas coisas, 60% do fluxo turístico mundial está relacionado com viagens e lazer, enquanto as deslocações associadas a questões profissionais, interesses de formação, etc., representam os restantes 40 %. No entanto, os que participam em "congressos, convenções e feiras, realizam uma despesa média três vezes superior à de um turista comum (...)".É este último "nicho" que está quase inexplorado em Vouzela e em que se integra o Festival de Imagem de Natureza.

Pois é. O João Cosme serve-se, legitimamente, da sua qualidade profissional, para convidar gente das mais variadas paragens a percorrer as nossas matas, as margens dos nossos rios, a riqueza das nossas quintas, para apreciarem a nossa biodiversidade. Depois, junta-os num encontro anual que já vai na sua terceira edição. Compram pasteis, provam a vitela, falam com as nossas gentes. Alguns vêm de véspera, muitos regressam. É, de facto, um grande evento, mas, sobretudo, uma enorme lição. Para quem quiser aprender.

domingo, janeiro 06, 2013

Vouzela, 2013

 (Foto carregada através de telemóvel)

Vouzela, 2013. Do alto do Castelo continua a avistar-se o mundo. Não tarda e a variedade de castanhos que dominam o horizonte vai ser substituída pelas cores do renascer da primavera- começa a faltar o verde vivo das videiras. As mimosas vão florir, assim como os loendros, enquanto as águas dos rios fazem o seu curso, tropeçando aqui e além nos disparates dos homens. Ah, os homens! Há memória de santos e moiras encantadas, há obras de outros tempos que registam o que fomos, há, sobretudo, saudade. Mas temos a desagradável sensação de não haver presente. Pior do que isso, muitos já não acreditam conseguir encontrar os caminhos do futuro, como se, ao contrário da natureza, estivéssemos condenados a um inverno permanente. Não estamos.

O ano que agora se inicia, tanto pode ser o fim de um ciclo, como a sua continuação. Depende de nós. Com eleições autárquicas marcadas para outubro, tanto podemos exigir que os candidatos se vinculem a objetivos precisos e claros, como podemos deixar que tudo continue como dantes, assistindo à tradicional feira de vaidades de desfile de nomes sem ideias e, sobretudo, sem compromissos. Os estudos de opinião que circulam por Vouzela, mostram que há quem se esforce por manter a aldrabice da primeira opção. Cabe aos vouzelenses a última palavra, na certeza de que a inversão da atual caminhada para o abismo, exige muito mais do que voluntarismo e uma lista telefónica recheada de contactos sonantes. Exige estudo que permita identificar a causa das coisas e perceber qual a margem de manobra que nos resta.

Anos 50: o fim de uma época

No anos 50, ainda por aqui se faziam sentir alguns dos efeitos da época do volfrâmio que, por exemplo, justificavam que fossem das freguesias da mineração o maior número de registos de viaturas automóveis do concelho. Mesmo assim, a indústria hoteleira local sentia já inequívocos sinais de crise, confirmada pela subida dos números da emigração. Com uma agricultura em minifúndio e de nula rentabilidade, era muita a mão-de-obra excedentária. Mesmo assim, em 1957 existiam 32 escolas no concelho (7 femininas, 7 masculinas e 18 mistas) e 17 "postos escolares", frequentados por 1668 crianças (890 rapazes e 778 raparigas).
 
Na mesma década, projetava-se a construção de um "santuário" e de um lago artificial no Castelo (1), discutia-se um plano de urbanização que previa um hotel em frente de outro já existente (o Mira Vouga) e um "bairro operário", o que levava o Notícias de Vouzela a chamar a atenção, com alguma ironia, para o facto de não existirem fábricas que o justificassem. Foi, ainda, nos anos 50 que, com o apoio de emigrantes do Brasil, se relançou a Associação de Futebol "Os Vouzelenses" e que outros emigrantes ilustres, os irmãos Pimenta, lançaram a idea da construção do "Prédio das Coletividades" (atual sede dos bombeiros), projeto que foi aproveitado para abrir artérias e novas zonas de expansão da vila. Na verdade, Vouzela agarrava-se desesperadamente ao poder económico dos seus emigrantes, em busca de alternativa a uma época que sentia terminar.
  
Os Planos de Fomento e o fracasso da reforma da agricultura

Neste mesmo período, a política económia nacional foi dominada pelo lançamento dos "Planos de Fomento" (Lei 2058, de 1953). Neles se foi assistindo ao aumento da influência dos que defendiam um maior investimento na industrialização do país, mas, simultaneamente, ao progressivo abandono de qualquer tentativa de reformar a agricultura e, sobretudo, a propriedade rural, projeto constantemente travado pelos grandes agrários. Aliás, a influência e a agressividade deste grupo, talvez justifique alguma da indiferença que os "engenheiros" (como eram popularmente designados os partidários da industrialização) demonstraram pelo problema agrário português (2).


O capítulo seguinte desta história, é conhecido: entre 1960 e 1970, mais de um milhão de portugueses foi obrigado a emigrar. No mesmo período, Vouzela perdeu mais de 2 mil habitantes, iniciando aí um processo de despovoamento que vem até aos nossos dias. Se olharmos para os dados  estatísticos de São Pedro do Sul ou de Oliveira de Frades, vemos que eles nos contam a mesma história. Entre 1960 e 2011, os três concelhos perderam 13120 habitantes, sendo Oliveira de Frades o que, apesar de tudo, registou menor oscilação (5,4%), descendo de 10858 habitantes em 1960, para 10261 em 2011.

A "origem" dos nossos males 
  
Claro que muita água correu desde então, muita "orientação estratégica" e, sobretudo, muitos "fundos". Mas em todo este processo não só nunca se resolveu o problema da agricultura e da propriedade do solo, como antes se procuraram aproveitar as suas fragilidades. E é aqui  que, talvez, devamos procurar a "origem" dos nossos males. O processo crítico vivido por Vouzela, não foi diferente do que viveram terras com as mesmas características, enredadas no drama de ausência de alternativas a uma agricultura de pouco valor acrescentado, incapazes de desenvolver ou atrair atividades económicas que, de forma consistente, empregassem os excedentes do setor agrícola em crise e fixassem população. A opção selvagem pela construção, também está relacionada com este fenómeno (embora não tenha nele a sua única justificação), pela facilidade de integração de uma mão-de-obra pouco qualificada.

Dos três concelhos de Lafões, aquele em que foi mais visível este uso da construção civil como compensação ao abandono da agricultura, foi Oliveira de Frades. Daí resultou também ser nesse concelho que, mais cedo,  se perceberam as consequências de  não se conseguir compatibilizar a opção industrial com a preservação dos aspetos mais significativos do seu património cultural. A verdade é que, apesar de tudo, Oliveira de Frades não beneficiou da crise dos vizinhos e não conseguiu evitar a quebra populacional, nem um índice de envelhecimento superior à média nacional.

Vivemos, pois, a parte final de uma história de erros estruturais cometidos e sentidos em todo o país e que, no fundamental, foi contada com o mesmo enredo em todas as regiões do interior. Ao longo dos tempos, foram acrescentados outros erros que agravaram a situação e retiraram coerência ao território (3), mas a parte mais triste, manteve-se: abandonaram-se atividades em vez de se estudarem melhores práticas; ignoraram-se recursos, em vez de os rentabilizar; preferiu-se o exibicionismo do jogo de influências à ação coletiva. Um pouco na linha dos disparates cometidos noutras épocas históricas, permitimos que nos impusessem a atitude daqueles afortunados herdeiros que, tendo recebido rico património, se limitaram a delapidá-lo, contentando-se em abandonar, sucessivamente, os salões onde o telhado começava a meter água, em vez de aprenderem a mudar as telhas.

O que vai estar em causa nas próximas eleições para as autarquias locais, é saber quem tem o engenho necessário para começar a "mudar as telhas", independentemente de ser "loiro" ou "moreno". Importa, pois, por á prova a arte do "operário", antes de lhe garantir emprego. 

Do alto do Castelo continua a avistar-se o mundo, umas vezes em límpidos e amplos horizontes, outras encoberto por uma neblina que só aos poucos deixa adivinhar o verdadeiro contorno das coisas. Talvez seja esse o problema. No alto do Castelo, tanto nos podemos sentir acima das núvens, como ter noção da imensidão da queda.
________________
(1)- Notícias de Vouzela de 16 de Janeiro de 1957.
(2)- Numa altura em que alguns defendem que há reformas que exigem a "suspensão da democracia", é importante saber que a do emparcelamento e reemparcelamento da propriedade rural, nem a ditadura conseguiu concretizar. Sobretudo, é importante perceber porquê.
(3)- Sem qualquer espécie de "bairrismo", a "promoção" de São Pedro do Sul a cidade, foi uma medida que se limitou a "fazer festas" nalguns egos de maior influência, mas que revela uma enorme ignorância sobre o significado histórico de cidade, numa região em que existem duas bem consolidadas (Aveiro e Viseu), separadas por algumas dezenas de quilómetros e com boas vias de comunicação.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

"Em luta por Vouzela" não pode ser apenas um ato simbólico


Vamos a ela! Com o mesmo objetivo, apoiamos a anterior; com o mesmo objetivo, repetimos o alerta que então lançamos: façamos vigílias, manifestações, marchas sobre Lisboa, até, mas pensemos no "dia seguinte". Que acontece se, a seguir à vigília, tudo continuar na mesma? Que "plano B" existe? Vouzela já não tem tempo para meros atos simbólicos. Talvez fosse importante que, desta iniciativa, saísse uma comissão de gente da região ligada ao Direito, disposta a pedir uma audiência à ministra, para lhe explicar o absurdo do que nos quer impor. Talvez fosse importante ouvir algum responsável pelo maior partido da oposição, comprometer-se com a reversibilidade das medidas que venham a ser tomadas. Talvez fosse importante, sentirmos que os responsáveis locais poem Vouzela acima dos interesses pessoais e de grupo e assumem a responsabilidade de se demitirem de todos os cargos para que foram eleitos por um povo que está a ser traído. Vamos a isso?

terça-feira, novembro 27, 2012

Uma questão de justiça

O grupo promotor da “Iniciativa Cidadã pelo Desenvolvimento de Vouzela”, na sequência das declarações do presidente da Câmara Municipal de Vouzela, Telmo Antunes, que considerou ter sido uma perda de tempo a reunião com a Ministra da Justiça sobre o enceramento do Tribunal de Vouzela considera que é necessária a mobilização cidadã em defesa do Tribunal de Vouzela.

Este grupo de cidadãos convida a população do concelho de Vouzela para uma vigília a realizar junto ao edifício do Tribunal para o próximo dia 30 de Novembro a partir das 17,30 horas.

Apela-se aos autarcas, aos partidos políticos, ao movimento associativo, aos agentes económicos e à população em geral que se juntem a esta iniciativa contra o encerramento de mais um serviço público no concelho de Vouzela.


Vouzela, 20 de Novembro de 2012

 
Pelo grupo promotor da “Iniciativa Cidadã pelo Desenvolvimento de Vouzela”

Alexandrino Matos,
Cristina Pinheiro, Maria do Carmo Bica, Raquel Ferreira

quinta-feira, novembro 22, 2012

Iniciativa Cidadã pelo Desenvolvimento de Vouzela: urge deitar as mãos à obra


“(...) a paisagem da região lafonense, de tão acentuada beleza policrómica (...) pode distingui-la das regiões vizinhas. Os seus campos de cultura, xadrezados pelos comoros de divisão da propriedade, onde a vinha se abraça às árvores de fruto, e emoldurados ainda pelas matas de pinheiros, carvalhos e castanheiros que revestem as maiores elevações do terreno, oferecem, com efeito, ao turista um espectáculo sem dúvida interessante: um pequeno retalho do Minho perdido em plena região montanhosa da Beira Central”.
- retirado da edição feita pela Fundação Calouste Gulbenkian, 3º volume, 1985.

Era assim que Amorim Girão descrevia a paisagem de Lafões na 1ª edição do Guia de Portugal. Hoje, mantém-se a beleza, mas os estragos são já consideráveis. No dia em que a agricultura abandonar, de vez, a paisagem que desenhou, a vinha deixar de abraçar as árvores de fruto e o seu verde, conjuntamente com o dos carvalhos e castanheiros, deixar de ser dominante, passaremos a ter outra coisa qualquer, mas perdemos um dos nossos principais recursos. É preciso não ter receio de falar nos perigos para prevenir e evitar os seus estragos.

Na "Iniciativa Cidadã pelo Desenvolvimento de Vouzela", não houve receio e houve esperança. Falou-se na necessidade de rentabilizar o património natural e edificado, na defesa da produção de proximidade, no desenvolvimento de hábitos de cooperação, na oganização de parcerias, na urgência de proteger Lafões como "marca" reconhecida. Há mercado para Vouzela, mas não o há em Vouzela. Assim sendo, há que convencê-lo a cá vir. Mas convém recordar que estas conclusões já faziam parte do estudo feito pelo Instituto de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra (IERU), já aqui comentado em... 2007! Talvez seja tempo de deitar mãos à obra.

quarta-feira, novembro 14, 2012

Iniciativa cidadã pelo desenvolvimento de Vouzela- "caladinhos" só os biscoitos

É já no próximo dia 17, pelas 21 horas, nas instalações da Escola Básica Integrada de Vouzela, com a presença do Professor Doutor Alfredo Simões, investigador do Instituto para o Desenvolvimento Regional e Urbano da Universidade de Coimbra, autor de vários estudos sobre a região.
Dizia, há tempos, um ilustre vouzelense, que se tinha perdido o hábito do convívio, da conversa, da tertúlia de que tantas ideias sairam. Falava-se de grande polémicas, como a passagem do Castelo para os Serviços Florestais, que motivaram cada uma das partes a "mostrar serviço", organizando melhoramentos que criaram a Vouzela que hoje conhecemos. Também não havia dinheiro. Recuperar esse bom hábito do encontro, da troca de ideias de que surge a confiança necessária para a iniciativa, é uma prioridade. A Associação D. Duarte de Almeida já teve iniciativas bem sucedidas que provam existir recetividade para espaços de debate e de diálogo. Sigamos, pois, o seu exemplo e alarguemos o seu âmbito, sem medos nem preconceitos. "Caladinhos" só os biscoitos!


quarta-feira, novembro 07, 2012

"Ou há pulmões/ Ou não há!"


Algures pela Penoita

Sinceramente, estamos a ver as coisas mal paradas. Muito lamento, muita acusação, muito faz de conta, mas nada de soluções concretas para problemas concretos. A menos de um ano das próximas eleições para as autarquias locais, ou arrepiamos caminho, ou arriscamo-nos a ficar pelos azedumes impotentes, enquanto o concelho se esvai de gente, serviços e ideias. Como dizia o Torga, "Ou há pulmões/ Ou não há"! Veremos se há.

O anúncio do encerramento do Tribunal esteve muito longe de ser uma surpresa. Foi a evolução natural de uma estratégia mais do que errada, que já tinha disparado todos os alarmes por altura do encerramento dos serviços de saúde. Por um qualquer motivo insondável, ou por puro e simples exibicionismo, os dois principais partidos do concelho, PS e PSD, preferiram as jogadas de bastidores, assim a modos de quem quer mostrar que "eu tenho mais influência do que tu". Como na altura disse José Junqueiro, quem melhor se "mexeu" foram as "forças vivas" de São Pedro e o resultado foi o que se viu. Agora, com o tribunal, estamos na mesma, apenas com um governo diferente. O dr. Telmo Antunes parece ter confiado na sua influência junto dos colegas de partido e fartou-se de anunciar que não acreditava no encerramento. A evolução da história é conhecida e talvez o presidente da Câmara de Vouzela tenha percebido que já poucos se lembram dele lá pelos gabinetes da São Caetano. É o preço da interioridade...

Perante isto, só nos restam dois caminhos: ou aceitamos, mal encarados mas passivos, um "destino" que se cumprirá com o encerramento de mais serviços e com um final de concelho assim como quem nos apunhala pelas costas; ou pomos os interesses de Vouzela e de Lafões à frente das contabilidades de "clube" e procuramos o que nos une, de modo a ganharmos força reivindicativa. Dispensam-se "aves agoirentas"!

Temos consciência de que estamos a sofrer as consequências de um esvaziamento destas terras que, como em todo o interior, começou lá pelos idos de 60. Podemos, até, testemunhar, que a primeira descrição que ouvimos do que estamos a viver, foi em plena década de 70, quando uma senhora fantástica que por estas terras houve, rematou uma lúcida análise do que já então se anunciava (mas poucos viam), com um tremendo "Vouzela está a morrer!". Não percebemos, na altura, quando sinais vários do que muitos chamavam "progresso" se traduziam numa miríade de aviários que nasciam por toda a parte e nas cabeças de frangos que desciam rio abaixo e se cruzavam com os banhistas na Foz e na Arrabidazinha. Naquele jeito de dizer qualquer coisa só para não ficarmos calados, dissemos que não, que as terras não morriam. Respondeu-nos a senhora, com o ar sereno e terno que a caracerizava, à porta de sua casa na mítica Quinta das Beijocas: "Morrem sim. Morrem quando morre quem lhes dá sentido". É isso que precisamos saber: conseguimos, ou não, encontrar um sentido para estas terras e para a nossa existência nelas? Somos gente para encontrar esse sentido, ou não passamos de ranchos de mortos-vivos, afogados nas nossas pequenas vaidades e entretidos com quezílias estéreis?

Nunca foi fácil a vida nestas terras talhadas na pedra. Tudo o que se construiu foi à força de braço, de muitos braços juntos, que o esforço exigido não se compadecia com individualismos. Definiam-se objetivos e uniam-se esforços para os alcançar. É do que voltamos a precisar. Sabemos que há culpados do que estamos a viver. Mas, muito mais importante do que perder tempo a apontá-los, é termos consciência de que todos somos muito poucos para que nos possamos dar ao luxo de desperdiçar esforços. "Ou há pulmões/ Ou não há!" Veremos se há.

Ar livre

Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte…
De par em par, pois então?!

Ar livre! Correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
-e nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)

Ar livre! Que ninguém canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiração!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mãe,
Desligado do cordão!

Ar livre, sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!
-Miguel Torga,  In Antologia poética


quarta-feira, outubro 17, 2012

Agora é uma questão de dignidade!

"A proposta final do Ministério da Justiça para a reforma judiciária retira da lista de encerramentos cinco tribunais, com a extinção de 49, contra os 54 inicialmente previstos.
O ministério de Paula Teixeira da Cruz decidiu manter os tribunais de Valpaços, Almodôvar, Nelas, Sátão e Vila Nova de Foz Côa, nos distritos de Vila Real, Beja, Viseu e Guarda, de acordo com a proposta de reorganização a que a agência Lusa teve acesso"- dnotícias.pt.

Pelos vistos, de pouco vale "ir a despacho". Apesar das esperanças depositadas pelo presidente da Câmara de Vouzela na conversa mantida com a ministra da Justiça, a verdade é que a proposta final para a reforma do sistema judiciário, mantém o encerramento dos tribunais de Vouzela e de Oliveira de Frades. Caso avance esta reorganização, teremos por estas bandas "secções de proximidade" que se descrevem como "locais de atendimento ao público, prestado por oficiais de justiça, com acesso integral ao sistema de informação do tribunal (...)"

Nem vamos falar em questões técnicas jurídicas de que já outros falaram com mais conhecimento, nem sequer dos fundamentos históricos que justificam a existência do nosso tribunal. Agora, temos que falar, apenas, da nossa dignidade. Da dignidade de um povo que tem visto serem-lhe retiradas as condições básicas da existência, obrigado a pagar para circular nas estradas a que o limitaram, impedido de desenvolver as suas tradicionais atividades económicas, violentamente afastado dos serviços que lhe podiam dar alguma segurança e conforto. Falamos da dignidade de um povo que querem expulsar das suas terras, condenando-o a umas quantas assoalhadas num qualquer subúrbio ou aos serviços de assistência, onde o "preço" do cidadão fica mais barato. Qualquer encerramento de serviços, na situação atual de crise violentíssima, de acelerado despovoamento e envelhecimento, tem que ser entendido como um ataque à nossa dignidade.

É cada vez mais evidente que as medidas que têm sido tomadas, têm como único objetivo aumentar a coleta, sem resolver um só dos problemas estruturais que nos trouxeram à triste situação presente. Se por um qualquer milagre a crise acabasse amanhã, continuávamos sem uma agricultura que garantisse, sequer, as reservas estratégicas nacionais; continuávamos sem indústria; continuávamos um dos países com mais elevados índices de corrupção da Europa. Mas é no meio deste desvario generalizado que se lembram de amealhar umas moedinhas encerrando os poucos serviços que ainda por aqui fixam gente e atenuam a dureza do quotidiano. 

Há quem adiante que os encerramentos de tribunais são o ensaio para uma reforma territorial que pode culminar na extinção de concelhos. Com a autoridade que reivindicamos do facto de defendermos a criação do concelho de Lafões, afirmamos que qualquer reordenamento territorial tem que obedecer a fundamentos históricos, geográficos, etnológicos e sempre com o aval do povo que lhe vai dar conteúdo. Excluem-se destes critérios, as "cunhas", o clientelismo e as soluções pré-fabricadas e impostas. Por isso falamos de dignidade.

Quando a notícia do encerramento do tribunal começou a circular, logo houve quem comentasse no Facebook: "O povo de Vouzela é sereno. Se isso fosse em S. Pedro rolavam cabeças de certeza"! É o velho mito dos "brandos costumes". Por aqui recorda-se que, há apenas umas décadas atrás, muitos dos processos que corriam no tribunal de Vouzela eram por agressões à sacholada na sequência de querelas de partilhas de água. Mas, apesar de nos estarem a tirar o líquido vital da nossa dignidade, preferimos recordar a atitude digna da Comissão Administrativa que, em 11 de Julho de 1927, em plena ditadura, recebeu a notícia da então extinção da Comarca: demitiu-se! Ficamos a aguardar a atitude dos nossos eleitos atuais e nem sequer lhes recordamos as "responsabilidades no cartório".  Apenas pretendemos que não se esqueçam do que, agora, está em causa: a nossa dignidade!

domingo, outubro 14, 2012

Felizmente as paredes são fortes

Postal da coleção particular de Carlos Pereira
"Então, agora que a Câmara vai ficar com a Casa das Ameias, vocês não falam no assunto"? Nada de confusões! A Câmara Municipal de Vouzela vai tomar "posse administrativa" do edifício, o que significa que vai avançar com obras coercivas, após o que terminará a tal "posse". A medida é aplicada de acordo com o previsto no nº 2 do artigo 89º e no artigo 91º do  Decreto-Lei nº 555/99 de 16 de Dezembro. O que eventualmente pode acontecer é, perante uma hipotética recusa dos atuais proprietários em pagar os trabalhos, as quantias terem que ser "cobradas judicialmente em processo de execução fiscal" ( número 2 do artigo 108º do mesmo diploma) que ajude a resolver as complicações deixadas pelo testamento do dr. Gil Cabral.

Por tudo isto e apesar de nada nos dar maior prazer do que reconhecer razão a quem nos fez a observação inicial, a "saga" está para durar. Resta-nos depositar esperanças na robustez das paredes daquela casa porque, no que diz respeito à vontade dos homens... estamos conversados.

quarta-feira, agosto 29, 2012

João António Gonçalves de Figueiredo


Postais e foto da coleção particular de Carlos Pereira. "Clique" para ampliar.

Para muitos, não passa de uma referência numa discreta estátua que ornamenta o Jardim. Os que têm feito o favor de nos acompanhar, já leram várias vezes o nome dessa personagem caracterizada pelas longas barbas (ver aqui e aqui). João António Gonçalves de Figueiredo, nascido no Banho (Termas de São Pedro do Sul) em 29 de Agosto de 1861 (1), foi proclamado "cidadão honorário de Vouzela" em 1943. Morreu em 31 de Agosto de 1953 com 92 anos.

Era sobrinho do barão da Costeira (ver a última imagem deste post) e, talvez por sua influência, fez parte do Partido Regenerador pelo qual foi nomeado administrador do concelho de Oliveira de Frades. Em 1885 integrou o grupo fundador da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, tendo sido "1º patrão e sub-comandante" do seu corpo ativo, para além de presidente da direção e da assembleia. Segundo Lopes da Costa, a sede desta instituição inaugurada em 26 de Fevereiro de 1911, foi edificada em terrenos que, em grande parte, foram por ele oferecidos. Como forma de agradecimento, a corporação decidiu dar o seu nome ao primeiro pronto socorro.

Enquanto presidente da então Junta da Paróquia de Vouzela, seu nome ficou ligado ao alargamento do "ensino primário" no concelho. Esse trabalho fez com que, em 26 de Abril de 1892, tivesse sido louvado pelo Ministro dos Negócios do Reino e agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo (as insígnias foram confiadas à Associação dos Bombeiros de Vouzela). Ainda nesta área, avançou, em 1928, com a proposta (não concretizada) de construção de uma escola primária "modelo" no alto de Sampaio, para o que estava disposto a ceder terreno, dinheiro (dois mil escudos) e o mobiliário necessário, impondo como única condição que se chamasse João Correia de Oliveira. Também ficou ligado à criação da escola de Fataunços.

Quando, em 1895, foi eleito secretário da Mesa da Santa Casa da Misericórdia, desempenhou papel de relevo na transferência do "Hospital Velho" para a Casa da Cavalaria, onde também foi instalado um asilo. Anos mais tarde administrou esta instituição.

Já após a sua reforma (foi inspetor de Finanças) e, numa altura extremamente difícil da vida local, colaborou na angariação de fundos para o edifício do tribunal. Lopes da Costa refere as suas influências na classificação da Igreja Matriz como monumento nacional e na promulgação do diploma legal que classificou Vouzela como estância de Turismo (Decreto nº 16432, de 28 de Janeiro de 1929). Presidiu à Comissão de Iniciativa e Turismo, tendo ficado ligado a todos os trabalhos de melhoramento no Monte Castelo, nomeadamente à construção da estrada e à vinda do arquiteto Raúl Lino, convidado a dar parecer sobre as obras e que acabou por projetar o fontenário (posteriormente executado sob a responsabilidade do mestre Guilherme José Joaquim Cosme).

Na imensa lista de obras a que ficou ligado, consta ainda o reconhecimento pelo trabalho referente "à denominação das ruas de Vouzela" e o alinhamento da Rua Barão da Costeira, feito "por sua conta", entre "a esquina dos Bombeiros e a casa que era de Leopoldina Batata". Facilitou a aquisição do terreno (Chãs), sua propriedade, onde os pioneiros da Associação de Futebol "Os Vouzelenses" construiram o "Parque Desportivo". Por isso mesmo foi nomeado "sócio benemérito". Em 1943, no mesmo ano em que, por doença, se viu obrigado a abandonar a administração do Hospital e Asilo, a câmara proclamou-o "cidadão honorário de Vouzela".

Para muitos, não passa da modesta referência nesta estátua, paga através de subscrição pública. No entanto, João António Gonçalves de Figueiredo foi dos que fizeram e deixaram fazer daquela obra que verdadeiramente interessa: a que serve a população. Pelo menos que lhe preservem a memória, através dum simples restauro do monumento, de modo a que se perceba o ano do nascimento.
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(1)- Os dados biográficos aqui referidos, foram retirados dos arquivos de Lopes da Costa na Biblioteca Municipal .Foi ainda usada informação de Vouzela- a Terra, os Homens e a Alma, Vouzela 2001, Santa Casa da Misericórdia de Vouzela, 1498-2008, Vouzela 2008 e de "Os Vouzelenses", 80 anos- Imagens com histórias", Vouzela, 2010.

terça-feira, agosto 14, 2012

A diferença entre o parecer e o ser

Escultura de Joana Vasconcelos

Vai uma grande distância, como sabemos, entre o que parece ser e o que realmente é. O problema surge quando se fazem opções, críticas, ou mobilizam vontades, a partir do que parece, sem termos o cuidado de confirmar se realmente é. Ora, a região tem vivido com muitos "parece-me que", completamente infundados, que já justificaram algumas asneiras.

Numa tentativa de ir além do que parece, o Rui Costa, membro da Assembleia Municipal de São Pedro do Sul, comparou alguns dados estatísticos relativos aos três concelhos de Lafões que vale a pena conhecer. Nem que mais não seja, para acabarmos com falsas certezas e, duma vez por todas, enfrentarmos os problemas tal como são e não como gostávamos que fossem. Porque não é verdade que haja concelhos de Lafões que atraiam a população dos outros, não é verdade que Oliveira de Frades consiga traduzir em população residente a sua prosperidade económica, não é verdade que o aumento da construção tenha uma relação direta com o aumento da população.

Façam o favor de consultar, aqui.

sexta-feira, julho 06, 2012

Culpados!

"Despindo a toga que, com muito orgulho, envergo sempre que, em julgamento, se mostra deontologicamente obrigatório, gostaria de falar da importância que a manutenção do Tribunal tem para Vouzela.
Já nem vou falar em termos de projecção do Concelho e da região, nem do semblante do sinal de Estado de Direito.
Basta-me, por agora, falar de assuntos banais e notórios. De assuntos terra-a-terra, que, quem vive por cá, assiste.
No Tribunal Judicial de Vouzela – lembro que, ao contrário do que a Senhora Ministra da Justiça disse, o primeiro andar do edifício está ocupado, mas já não está o rés-do-chão,- trabalham dez (dez) pessoas diariamente.
Um juiz, um procurador, um secretário, um escrivão de direito, cinco funcionários judiciais e uma empregada de limpeza.
Dez pessoas.
De entre estas dez pessoas, apenas duas são residentes neste Concelho.
Apenas uma é residente na Vila de Vouzela.
As outras oito pessoas, são de fora.
Diariamente se deslocam para e de Vouzela para suas casas.
Tomam o seu café matinal, compram o seu pão, almoçam e vão comprando por aqui o seu jornal, a sua fruta, o seu peixe, a sua carne, a sua roupa.
Abastecem gasolina e trocam de pneus dos seus automóveis nos respectivos comerciantes dos ramos da vila e do Concelho.
Há, até, quem traga os seus filhos para as escolas do Concelho…
Ou seja, estas dez pessoas trazem movimento comercial à Vila e ao Concelho.
E já nem vou falar dos dias, esses sim, dias bons, em que há um julgamento mais ou menos falado pela aldeia.
Nesses dias, muitos dizem parecer dias de feira mensal, como hoje. Mas não são. São dias em que algum assunto chamou as pessoas à Vila.
São as dez pessoas que trabalham no Tribunal, mais as partes, as testemunhas de cada parte e os amigos, conhecidos ou curiosos de cada uma dessas, pelo menos, duas partes, além dos respectivos advogados.
Ora, sem Tribunal, sem finanças, sem serviços de agricultura, sem luz à noite, o que é que vai chamar pessoas à Vila?"
- João Miguel Ferreira, dirigente da Comissão Administrativa do PS de Vouzela no Facebook.

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"Ilustres Colegas Advogados,
Amanhã (hoje) irei à Reunião pública da CMV, às 9h 30, com a Toga. Convido-vos a fazer o mesmo, pedindo a condenação da Ré - Câmara Municipal de Vouzela, pelo encerramento do Tribunal e pela extinção das freguesias"- Id, ibd

terça-feira, julho 03, 2012

Duas histórias com pouca moral


1. Recordar 1927

11 de Julho de 1927. Confirmando rumores e receios, chegava a Vouzela a notícia da supressão da Comarca. O presidente da Comissão Administrativa, Dr. Guilherme Coutinho, convocou uma sessão extraordinária e reagiu: “(...) tendo chegado a esta terra, cuja autonomia judicial e administrativa tem séculos e ininterrupta existência, o incrível decreto da supressão da sua Comarca, tinha convocado esta sessão extraordinária para se deliberar a atitude a tomar em face da consumação d’este atentado governamental (...)”(1). Seguiu-se a demissão de toda a Comissão Administrativa. Um ano antes, em 28 de Maio de 1926, tinha sido instaurada a ditadura em Portugal. Vouzela tinha cerca de 15 mil habitantes.

Julho de 2012. Confirmando suspeitas e, sobretudo, certezas, diversos serviços de Vouzela encerraram ou correm o risco de encerrar. Foram escolas, serviços de saúde, de apoio à agricultura, está quase o tribunal e fala-se nas finanças. Como se não chegasse, afasta-se o poder do povo, através duma forçada agregação de fre
guesias. No conforto de uma democracia com 38 anos, os poderes locais "esperguiçam" uma vaga oposição, exibem influências, lamentam-se muito, no tom moderado e bocejante que se sabe não ferir os ouvidos delicados das lideranças partidárias. Vouzela tem 10 540 habitantes. Ainda!

Não tropecemos nas comparações. Ao contrário do processo de 1927, a rota da nossa desgraça presente é fácil de seguir: não temos atividades económicas que ofereçam trabalho, logo não temos pessoas, logo perdemos capacidade reivindicativa. Ao contrário de 1927, o partido que lidera a Câmara de Vouzela, tem grandes responsabilidades na triste situação nacional e local. Ao contrário de 1927, qualquer posição firme tomada hoje, pode beneficiar do peso de uma opinião pública livre, a que o governo e as contabilidades partidárias não são indiferentes (como o prova o caso do autarca de Valpaços). Ponto final. A moral da história (ou a falta dela), fica ao critério de cada um.

2. "Há mais marés do que marinheiros"

Quando tudo parecia bem encaminhado e os eleitos locais assumiam humildemente que devia ser a população a pronunciar-se sobre a agregação das freguesias, o caldo entornou-se. A história, resumida, pode ser lida aqui e deu origem à declaração da vereadora Carmo Bica que já publicamos. No "Facebook" seguiu-se uma prolongada trocas de argumentos com o PSD local, a partir da qual foi crescendo a ideia de que houve "jogada de bastidores". Por agora, interessa-nos, apenas, chamar a atenção para a ingenuidade da atitude do presidente da Junta de Figueiredo das Donas.

Dando de barato que o seu objetivo foi, apenas, proteger a sua freguesia da ameaça da agregação, o senhor presidente da Junta abriu a "caixa de Pandora" ao sacudir para outros o que não quer para si. Toda a solidariedade necessária para enfrentar este processo é, agora, muito mais improvável. Caso o assunto tenha repetições e/ou novos capítulos; caso necessite da compreensão dos restantes presidentes em futuras medidas, vai provavelmente lamentar a divisão que provocou. Até porque, como diz o povo, "há (sempre!) mais marés do que marinheiros".

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(1)- in, Vouzela- A Terra, os Homens e a Alma, Vouzela, 2001, p. 128

quarta-feira, junho 06, 2012

Porque é preciso fazer algo mais

Para mais informações, clique aqui

É assim numa espécie de terúlia que a Associação D. Duarte de Almeida decidiu criar espaços de reflexão. O próximo é já na sexta-feira, aberto a quem nele quiser participar e trocar ideias sobre "Intermunicipalidade e agregação de freguesias". A atualidade do tema é evidente, relacionado com as diversas ameaças que pairam sobre a região e com as dificuldades que temos sentido em responder-lhes. Por isso, importa participar. De pouco nos valem as queixas se não soubermos o que queremos e como lá chegar. E ontem já era tarde...

quinta-feira, maio 31, 2012

As boas notícias são para serem dadas

O "ranking" publicado pelo "Correio da Manhã" e contestado pelo vereador Luís Alcides (clique na imagem para ampliar)

Em comentário a um destaque por nós feito no "Facebook", sobre a dívida da autarquia de Vouzela, o vereador Luís Alcides contestou o "ranking" publicado pelo "Correio da Manhã" e garantiu que "Vouzela não vai recorrer ao montante disponibilizado pelo governo (...) para pagamento das dívidas de curto prazo", não havendo, por isso, "qualquer tipo de alteração nos impostos municipais". Aqui fica, na íntegra, o comentário do vereador da Câmara Municipal de Vouzela, tal como foi publicado:
Este ranking só pode estar errado,onde estão os grandes municipios como lisboa e v.n.gaia com centenas de milhoes de euros de divida,estamos a confundir dividas de curto prazo com dividas de médio e longo prazo e certamente rácios entre o endidamento e receitas.O que temos a certeza é que vouzela está numa recuperação extraordinária e não vai recorrer ao montante disponibilizado pelo governo de 1.000 ME para pagamento de dividas de curto prazo a mais de 90 dias PORQUE NÃO AS TEM,somos sim dos únicos municipios do País nestas condições.Portanto não teremos qualquer tipo de alteração nos impostos municipais.

quarta-feira, maio 02, 2012

Ir a despacho


Na última sessão da Assembleia Municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Vouzela perguntou ao presidente da Câmara por que motivo recusou comentar publicamente o possível encerramento do tribunal. Como resposta, Telmo Antunes informou que só o faria "depois de reunir com a Ministra da Justiça". Ou muito nos enganamos, ou há alguma confusão na ordem das prioridades do presidente da Câmara de Vouzela.

Por muito que acreditemos na capacidade de resistência dos portugueses, temos que admitir que estamos a chegar a situações limite. O problema não está, apenas, nos sacrifícios que nos estão a exigir, mas sobretudo no facto de não se vislumbrar saída pelo caminho que a coisa segue e de cada vez mais passar a ideia de que a realidade em que vivem os nossos governantes, pouco ter em comum com a do simples cidadão.

Para os que vivem nestas paragens de belas paisagens e despovoamento acelerado, começa a ser difícil não acreditar que todos os deuses lhes viraram as costas. Falemos a sério. Sofreram com o desinvestimento na agricultura, com as dificuldades postas a várias produções locais, com a incapacidade para se definir uma estratégia para o turismo e, até, com a falta de chuva que agravou o preço da criação de gado e ameaçou a certificação da vitela de Lafões. Quanto a fundos, viram-nos, sobretudo, numas obras mal amanhadas e nuns quilómetros de alcatrão que sempre tiveram como sentido principal ir daqui para fora e acabaram a fazer parte da política de coleta desesperada em que vivemos. Como se não chegasse, enfrentam, agora, a ameaça do encerramento de serviços. Depois do forrobodó a que se assistiu com os da saúde, parece ter chegado a vez do tribunal e (diabo seja surdo, cego e mudo) das finanças. É obra! Para um concelho (região) que não tem parado de envelhecer e de perder população, dificilmente conseguiríamos imaginar um cenário mais desfavorável.

Perante isto, o mínimo que se exige das autoridades locais é que demonstrem ser solidárias com as dificuldades por que passam as nossas gentes e deem sinais que permitam ter esperança no futuro. Para isso, muito teria ajudado que tivessem tomado a iniciativa e através dum consenso entre os três concelhos da região, contrapusessem ao governo um plano de reorganização de serviços com mais fundamentos do que, apenas, cortar cegamente em (quase) tudo e mais alguma coisa. Ora, nada disso parece estar a ser feito. Assistimos a declarações disparatadas alimentando rivalidades sem sentido e a um silêncio ensurdecedor, quando muito a declarações tímidas, como se cada concelho preferisse "jogar" na sombra das influências e dos interesses.

É neste contexto que o presidente da Câmara de Vouzela vem dizer que só presta declarações sobre o eventual encerramento do tribunal, depois de falar com a ministra da Justiça. Pode ter todas as razões para falar com a senhora, mas, sem outras iniciativas conhecidas, fazer depender dessa conversa uma denúncia clara e dura da indiferença a que o interior está votado, alimenta a desgradável ideia de que "vai a despacho", ou, se quiserem, receber o manual de instruções para que não sejam postos em causa interesses partidários.

sábado, abril 07, 2012

Apagões

Foto (e comentário) de Hugo Gaspar e Diogo André Rodrigues no Facebook (também aqui)