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sexta-feira, janeiro 24, 2014

A ver passar o comboio

"Faz-me imensa confusão que Viseu não tenha caminho-de-ferro. (...) É preciso perceber que uma auto-estrada se constrói relativamente rápido. Num ciclo político é possível ver concretizado esse investimento. No caminho-de-ferro a unidade mínima de planeamento é de dez anos. Dificilmente se consegue mandar fazer e inaugurar no mesmo ciclo político"
- Nelso Oliveira, diretor do Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Rodoviários, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro, in Jornal de Leiria, 23 de janeiro de 2014.

domingo, dezembro 08, 2013

Desabafos (e mais qualquer coisa)

Oxalá o comboio chegue! E tomara que Vouzela o apanhe!

Vejo Vouzela cada vez mais triste e abandonada... Olho à volta e o que vislumbro não me deixa otimista... Parece que se espera algo que nunca acontece! O nevoeiro, característico do vale do zela, já cria o cenário, só falta mesmo Dom Sebastião surgir por entre a névoa!...

Na vila há um movimento que se concentra em Julho e principalmente Agosto - qual aldeia de emigrantes, que triplica a população na época estival, passa o Verão passa a animação. Por aqui, os fins de semana de outono e de inverno parecem todos iguais, o mesmo estado sonolento, de uma vila que só dá sinais de alguma vida entre segunda e sexta feira, entre as nove da manhã e as seis, sete da tarde... O fim de semana quer-se de descanso. Assim seja, a vila descansa. E o estado de letargia continua, perpetua-se. Não é preciso mais?! Claro que é! Há um comboio para apanhar! Um comboio que nos leve a um futuro que rompa com a apatia e monotonia generalizadas. Um comboio cheio de ideias fora da caixa e projetos inovadores, criativos, que consigam envolver uma juventude que pertence a Vouzela, é vouzelense, mas que precisa de impulsos, de saber que há uma estrutura que sabe que eles "andam por aí" e que podem contar com o seu apoio.

Vouzela perdeu o comboio e tarda em o querer apanhar...

Ouço em vilas vizinhas, "Vouzela parou no tempo", "Vouzela a terra dos velhos", "Cada vez que vou a Vouzela não vejo ninguém na rua"... A mim custa-me ouvir isto, mas na verdade sei que é muito assim, apesar de partir na defesa da minha linda vila. Mas beleza não é tudo, e nem essa beleza é aproveitada. Se temos uma paisagem bela, uma vila agradável porque não promovê-la?! Porque não fazer uma campanha promocional com "prata da casa"? Há entre nós pessoas capazes de desenvolver ótimas campanhas através de vídeos e fotografia. Havendo divulgação, ficam a faltar iniciativas. Que tal começar por criar um calendário anual de atividades? Porque não ter mais feiras? Mas feiras que queiram ir mais além, capazes de captar visitantes. Vouzela precisa de se dar a conhecer!

Estamos em Dezembro, e como em todo o inverno, fica a faltar um evento com alguma dimensão para a vila. Uma feira de doçaria e gastronomia regional não fará todo o sentido ser no inverno, anterior ou durante a época natalícia? Haverá altura mais propícia para tal?! E perguntam-me, mas onde fazer tal feira? A mim surge-me logo a ideia, porque não no ginásio da escola preparatória? É um local central e aí haveria uma mostra com "stands". A esta feira associava-se uma outra iniciativa que envolvesse os restaurantes e pastelarias , através de um roteiro pela vila. Sendo esta feira durante um fim-de-semana, os restaurantes teriam de ser "obrigados" a abrir ao domingo. E talvez com este impulso pudessem continuar a abrir ao domingo (!). Mas claro que para o sucesso deste tipo de fim de semana gastronómico seria necessário apostar numa divulgação certeira que não podia nunca restringir-se à região.

Isto são ideias. Há muitas outras. E muitas, ou mesmo todas, são aquelas que se desperdiçam. Quem perde é Vouzela, somos nós.

Não podemos deixar o comboio passar... sem nunca o apanhar.

terça-feira, novembro 05, 2013

Temos um comboio para apanhar

O dia da inauguração. Foto gentilmente cedida pelo Augusto Rodrigues

Novembro de 1913. À incerteza da obra tinha sucedido a esperança e o espanto. Centenas de operários e engenhos nunca antes vistos, ergueram um viaduto com os seus dezasseis arcos de pedra que muitos apostavam não conseguir resistir. Finalmente, o comboio ia chegar. Todos quantos alguma vez o viram, podem imaginá-lo a entrar na ponte, lançando aos ares o seu apito de aviso de aproximação, ampliado pela dimensão do vale e do silêncio. Do outro lado, junto à estação, o povo apinhado, olhando, admirado e incrédulo, aquela massa de ferro preto que avançava com um som cadenciado por entre nuvens de fumo branco. Finalmente,  o comboio chegou.

Vouzela sempre foi local de "encontros e despedidas". Desde que os romanos lhe toparam a orografia e alargaram e empedraram estradas, a sua história ficou indissociavelmente ligada a vias de comunicação. Para o bem e para o mal. A linha do caminho de ferro do Vale do Vouga foi uma delas e a chegada do comboio naquele dia de 1913, marcou o início duma revolução nos afazeres e nos hábitos, imagem de marca  do último período de desenvolvimento que por estas terras houve. 

Hermínio Dias, no texto que redigiu para o cinquentenário da linha, descreveu os primeiros tempos com o poder de síntese do grande fotógrafo que era: "Festas, foguetes, contentamentos, encorajamentos para viagens a Espinho (...)". Encorajamento, sim, que isso de entregar a vida a um amontoado de parafusos a que não se podia puxar rédeas, nem obedecia a voz de comando, era aventura arriscada para quem, naqueles tempos, estava mais habituado a confiar nos músculos do que na técnica.

Mas da novidade passou-se à oportunidade e desta à rotina. Aos poucos, Vouzela foi-se familiarizando com uma nova categoria de gente composta por fatores, fogueiros, revisores, guarda freios, carregadores... e esse símbolo de autoridade, respeitado e invejado, o chefe da estação. Aos poucos, foi-se habituando à mistura com os operários da Serração- que, entretanto, tinha procurado a proximidade ao comboio- e das muitas partidas e chegadas, como a da comitiva de António Ferro que, em 1930, ainda antes de dirigir o Secretariado Nacional da Propaganda, usou o caminho de ferro para vir apresentar as entranhas do país aos jornalistas da capital e acabou no Castelo a admirar as vistas, extasiado, enquanto matava a sede com taças de Lafões fresquinho- parece que estava um calor dos diabos. Chegavam estudantes aos fins-de-semana, chegavam jornais ao fim da tarde, chegava gente diferente no verão que, mal descia o último degrau e punha os pés na terra, esticava as costas e enchia o peito de ar, o tal bem puro que por cá a trazia em estadias mais ou menos prolongadas numa das unidades hoteleiras da vila. O Mira Vouga era logo ali, depois da ponte, a caminho do São Sebastião. O comboio marcava o ritmo e os humores. Até os amores, porque o "vou ali ver chegar o comboio" era desculpa aceite e pretexto válido para passeios de namorados e os arcos da ponte sempre foram pilares seguros para as toneladas de ferro e de afetos.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Num tarda nada já eram mais as partidas do que as chegadas e os risos dos encontros não chegavam para fazer esquecer as lágrimas das despedidas. Brasil, África, mais tarde França e Alemanha "porque aqui não dá e é preciso fazer pela vida". Ou enganar a morte... E o soldado lá escolhia partir, bem cedo, sozinho, gola do capote levantada para que não se percebesse que, afinal, um homem também chora. Ao comboio descobria-se o desconforto dos bancos, a lentidão da marcha, o lado do negro do fumo. Provocava fogos, diziam- graças a Deus que de então para cá nunca mais tal coisa  vimos! O futuro estava nas quatro rodas, de preferência individuais e nessas mortalhas de alcatrão negro que nos levavam à porta e haviam de cobrir o país. Recusaram-se propostas de modernização e ignoraram-se sugestões de aproveitamento turístico. Em 27 de Dezembro de 1983, cobriram-no com coroas de flores e bandeiras e chamaram-lhe "Histórico", porque não se diz mal dum defunto. Pela última vez, o seu apito ecoou ao entrar na ponte, ampliado pela dimensão do vale e do silêncio das gentes que lhe prestavam a última homenagem, suspeitando estarem a enterrar muito mais do que aquela massa de ferro que se despedia por entre nuvens de fumo branco.

Mas os senhores deste mundo, não conhecem a ironia corrosiva do beirão. Vamos ouvindo as notícias sobre a crise do petróleo e os insuportáveis custos da energia e, então, fecho os olhos e imagino-me na sala de jantar da saudosa Pensão Jardim, amplas janelas abertas para o vale e para a ponte. Recordo o som cadenciado da aproximação e aquele silvo agudo que desperta e grita: "acordem, vouzelenses! Temos um comboio para apanhar".
- Texto escrito para a exposição "100 anos da chegada do comboio a Vouzela".


Ao Carlos Pereira

A exposição que a Associação D. Duarte de Almeida inaugura, neste 5 de Novembro, no Museu Municipal de Vouzela, deve muito ao investimento e ao entusiasmo do nosso colaborador, Carlos Pereira. Contactamos com ele, pela primeira vez, em 2007, numa altura em que dinamizava um blogue irónica mas certeiramente chamado "Postal de Vouzela". Já então tinha publicadas dezenas de imagens da vila, revelando um amor pela terra onde, jovem, andou a estudar. Mais tarde, decidiu integrar o grupo de colaboradores do "Pastel de Vouzela" e o resultado final é conhecido: muitas das mais de duzentas imagens da região de Lafões que publicamos, vieram da sua coleção particular. Mas um outro interesse sempre o animou que, curiosamente, ligava bem com as iniciais, "CP", com que assinava e assina os seus textos: a história da linha do Vale do Vouga. Esta exposição é o resultado desse interesse, mas também uma simples homenagem a um homem que, embora afastado da região, a sente como poucos. Obrigado, Carlos Pereira.  Vouzela precisa de amigos como tu.


sexta-feira, novembro 01, 2013

Há 100 anos o comboio chegou

(Clique na imagem para ampliar)

É mais uma iniciativa da Associação D. Duarte de Almeida, com o apoio da Câmara Municipal. Começa já no próximo dia 5 (17.30 horas), no Museu,  com uma exposição alusiva à chegada do comboio a Vouzela. Segue-se, no dia 16, um percurso em biciclete e uma caminhada em dois troços da antiga linha do Vale do Vouga (Ribeiradio-Vouzela e Pinheiro de Lafões-Vouzela). Termina no dia 30 com o "almoço do Centenário" no restaurante "Meu Menino" em Vouzela (13 horas) e com uma tertúlia no café Serôdio de Figueiredo das Donas (20 horas). A não perder.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Locomotiva E181

Locomotiva E181 fotografada em Vouzela no dia 16-05-1972. 


quarta-feira, novembro 23, 2011

Cinquentenário do Caminho de Ferro do Vale do Vouga

Faz hoje 103 anos que foi inaugurada a Linha do Vale do Vouga pelo Rei D. Manuel II. O comboio percorreu com pompa e circunstância o troço entre Espinho e Oliveira de Azeméis.
Cinquenta anos depois, a Gazeta dos Caminhos de Ferro editou um número especial da revista, inteiramente dedicado ao cinquentenário.
Entre tantos artigos sobre cada um dos concelhos servidos pelo comboio, coube a Hermínio Augusto Dias, Presidente da Câmara de Vouzela nos anos 50, escrever sobre a nossa terra.
Hermínio Dias foi membro da Comissão Organizadora das comemoração dos 50 anos da Linha do Vale do Vouga, tendo inclusivamente feito parte da Comissão de Honra. Dada a importância que o comboio teve para a região, tal data não poderia passar despercebida.
Ficam aqui as reproduções com memórias de Vouzela no início do Século XX, inimagináveis e esquecidas nos tempos de hoje.


Como curiosidade, lembramos que há 103 anos atrás, o almoço comemorativo da inauguração da linha foi no edifício da assembleia de Espinho. Foi oferecido pela Compagnie Française pour la Construction et L'Exploitation de Chemins de Fer a L'Etranger e organizado pelo Visconde de Assentiz. A ementa desse almoço com a presença do Rei D. Manuel II e uma vasta comitiva de convidados foi a seguinte:


Menu:
  - Consomé a la Royale
  - Patés de foie-gras a la Périgord
  - Coeur de filet a la gastronome
  - Chaud-froid de perdreaux a la diplomate
  - Pintades rôties au cresson
  - Salade russe

Entremets:
  - Glace a la crême, aux noisetes pratinées

Dessert:
  - Gelée au marasquin
  - Charlotte russe au café
  - Fruits et bonbons divers
  - Patisserie

Vins:
  - Collares, Aguieira, Madère, Porto, Moêt et Chandon, Anadia Café

Cinquenta anos depois, o almoço comemorativo teve uma ementa bem mais "portuguesa" e regional:

Coleção particular de António Liz Dias



Se bem que a comemoração dos 100 anos da Linha do Vale do Vouga (em 2008) foi praticamente esquecida em Vouzela, talvez pelo facto de o comboio já cá não passar, para memória futura, teria todo o interesse não esquecermos que se aproxima a data dos 100 anos em que o comboio apitou pela primeira vez na estação. Já não temos comboio mas "quem não recorda o passado, está condenado a repeti-lo (Jorge Santayana)".
Sim. Eu sei. É só em Novembro de 2013. Mas todos sabemos como são estas coisas. Deixamos para a última e depois...

Que vai ser o almoço?

segunda-feira, agosto 02, 2010

Locomotiva E124

Digam lá que não é uma foto do outro mundo...


Foto datada manualmente de 10-06-1969, sem referência ao autor (adquirida num leilão).

quinta-feira, julho 01, 2010

Ser contra as portagens na A-25... à nossa maneira


"Resumindo: a promoção do transporte individual e a destruição do transporte colectivo foi errada, irracional e prova-se agora que era economicamente insustentável. Mas não seria justo dizer que não foi uma opção com um largo apoio popular. Tudo o que se faça agora serve para remediar. Os que lutam contra as portagens nas SCUT terão a minha solidariedade. Mas, para serem coerentes, têm de exigir uma linha de comboio, um paragem de autocarro, uma carreira de um transporte rodoviário como alternativa. Até lá, o que pedem é a continuação de um erro"- Daniel Oliveira, Expresso.

É uma verdade incómoda, mas é a verdade. A ameaça de portagens nas SCUT é mais uma consequência do total desprezo pelos mais elementares princípios de ordenamento do território; é a parte final de um enorme embuste feito pela maioria do costume. Mas a sua contestação obriga-nos a ir mais longe do que a simples reivindicação de poder passear o carrinho sem ter de pagar.

Não é por sermos uma região deprimida que a A-25 não deve ter portagens (também é). É por nos terem negado alternativas. Já tivemos um comboio que nos foi tirado. Já tivemos uma estrada- o IP-5- projectada para substituir os mais do que limitados percursos tradicionais, mas que se limitou a ser uma máquina de ceifar vidas. Agora, apenas temos... a A-25.

É por isto que somos contra as portagens em todas as estradas para que não haja alternativa. Mas também é por isso que sempre fomos e continuamos a ser adeptos do regresso do comboio e contra o encerramento de linhas. É também por isso, que somos a favor de um investimento, a sério, em redes públicas de transportes que quase não temos.

Já agora: também é por tudo isso que nos parecem hipócritas os lamentos de alguns, lestos a vir carpir mágoas sobre os malefícios das portagens, mas exasperantemente lentos sempre que se tratou de reflectir e projectar alternativas.

sexta-feira, maio 14, 2010

Outros Maios, os mesmos desejos


A foto regista um momento das comemorações do 1º de Maio de 1974 em São Pedro do Sul. Foi-nos gentilmente cedida por Vasco Coutinho e faz parte de um conjunto exposto no Espaço do Cénico- Grupo de Teatro Popular (Solar da Lapa-São Pedro do Sul).

quarta-feira, maio 05, 2010

Um combate que continua a valer a pena

Na sequência de uma reunião realizada com a Rede Ferroviária de Alta Velocidade e com algumas das empresas envolvidas, o executivo camarário de Vouzela defendeu que se dê prioridade ao eixo Aveiro-Salamanca. Esta posição foi justificada com o facto dessa ser a principal porta para a troca de mercadorias com a Europa, de estabelecer ligação com os portos de Aveiro e Leixões e de servir uma região onde não existe opção ferroviária.

Claro que aos argumentos da Câmara, podemos acrescentar outros tantos. Claro que não temos ilusões sobre o peso que a região (e até o país...) pode conseguir na decisão sobre a "alta velocidade". Claro que não basta ver o comboio passar a duzentos e tal à hora para que isso se traduza numa mais-valia para estas terras. Sobretudo, é claro que, no actual contexto, já deve ser tarde para influenciar o final da história. No entanto, mais vale tarde do que nunca e se a posição da autarquia for um impulso para a criação de uma opinião pública local audível e favorável à opção ferroviária, tem o nosso apoio.

Longe de nós pretender solucionar o imbróglio que por aí vai em torno do TGV. Já uma vez aqui divulgámos um estudo de 2003 e outro de 2007, mas a nossa preocupação esteve sempre mais orientada para as "velocidades baixas", as mais adequadas ao ritmo de quem nos visita: defender o comboio como um dos componentes de um plano integrado de desenvolvimento regional; olhar para o futuro, antecipando consequências do agravamento do preço do petróleo e dos problemas ambientais- foi isso que sempre nos animou.

De qualquer modo, fazemos votos para que a "locomotiva" tenha iniciado a sua marcha. Agora é preciso alimentar a "fornalha", acelerar progressivamente "acertando a agulha" com toda a região (todas as forças económicas, sociais, políticas e culturais), fazer deste objectivo um autêntico projecto regional com o necessário grupo de pressão. Já agora, sem construir "castelos no ar" e sem "pôr o carro à frente dos bois", não será disparatado começar a desenhar cenários que nos permitam estar em condições de aproveitar o sonho, caso ele se concretize. Também talvez valha a pena pensar num "plano B", que mantenha o comboio nas prioridades locais, independentemente do TGV (até rima...). Para quem está interessado em percorrer os trilhos do desenvolvimento sustentado, este é um combate que continua a valer a pena.

sábado, abril 10, 2010

Pare, escute, olhe e, por favor, pense!

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.

Já tínhamos falado neste documentário que, entretanto, foi retirado do YouTube. Aí fica nova chamada de atenção, conseguida a partir daqui. Para reflectirmos sobre a noção de território de quem nos governa. Se for sentindo um nó na garganta e a raiva a tomar conta de si, não se preocupe- é sinal de que ainda há esperança.

quinta-feira, março 25, 2010

Documentos sobre a Linha do Vale do Vouga

É um daqueles assuntos que nos fazem largar tudo, quer para conhecer melhor o seu passado, quer para tentar "forçar" o futuro- o comboio. Desta vez, foi o nosso colaborador Manel Vaca que, nas suas deambulações em busca do que a história reza das nossas gentes, encontrou os documentos que apresentamos. Há mais na "Gazeta dos Caminhos de Ferro". Indispensável para estudiosos ou simples curiosos. Depois de apreciar a ilustração de Stuart de Carvalhais, é só clicar nas imagens para ampliar.


quarta-feira, março 03, 2010

A mobilidade dos estudos


Telmo Antunes e Viriato Garcez, "arrumaram" a proposta sobre o metro de superfície apresentada pela vereadora Carmo Bica, com o anúncio de um estudo sobre a mobilidade na região de Lafões. O assunto já entrou nas conversas locais, mais a brincar do que a sério, que é o modo como gostamos de tratar as coisas sérias que suspeitamos virem a ser usadas para brincarem connosco. Ora, ao falarmos em estudos sobre mobilidade, convém não esquecer a mobilidade dos estudos- não, não é um jogo de palavras.

Por mais técnicos que intervenham, as decisões sobre mobilidade são políticas. Por exemplo, quando decidimos concentar as crianças de uma região em centros escolares, estamos a tomar uma decisão política com consequências nas deslocações diárias das famílias. O mesmo se passa quando se aumenta o tempo de deslocação casa/trabalho, se desvaloriza a relação entre zonas rurais e urbanas, etc. Não venham, pois, com a máscara da "técnica", disfarçar opções que se devem, exclusivamente, aos responsáveis políticos (nacionais e locais).

Também parece evidente que não faz qualquer sentido fazer um estudo sobre a mobilidade, sem primeiro definirmos que caminho queremos percorrer rumo ao futuro. Entendemos a região de Lafões no seu conjunto, como um centro de múltiplos recursos complementares, ou continuamos cada um por si, invejando (e copiando) a galinha da vizinha? Entendemos que a paisagem é uma das nossas principais riquezas (como mostram todos os estudos!) e, como tal, deve exigir intervenções muito cuidadosas, ou acreditamos que o futuro está nessa coisa a que chamam "zonas industriais", prevendo-se a concentração das pessoas na sua proximidade? Defendemos que há alguma coisa a fazer na reabilitação de certos produtos agrícolas, ou essas áreas são para abandonar à floresta e a uma eventual nova vaga de cimento? As respostas a estas perguntas são determinantes na definição da política de mobilidade que queremos. Mais: são fundamentais para definir os princípios orientadores da acessibilidade, que é o que verdadeiramente interessa para a organização da vida das pessoas.

Recorde-se que mesmo num assunto tão limitado como o da ampliação da avenida João de Melo, nunca foram apresentadas justificações que a fundamentassem, para além duns vagos argumentos sobre "dignificar o monumento" (Igreja da Misericórdia) e o ordenamento do trânsito (que não se percebe como). Por isso, e porque nenhuma reflexão se conhece sobre o que queremos para a região, não se percebe quais os parâmetros de tal estudo, correndo-se até o risco de chegar a conclusões antes de... "estudar". Esperamos que não.
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Uma nota final sobre o "metro de superfície". Tal como o presidente da Câmara de Vouzela, também não gostamos da designação. Não somos uma metrópole (nem queremos ser), logo, não podemos ter um metropolitano. Mas a criação de uma alternativa ferroviária de transporte na região, parece-nos fazer sentido. Até arriscamos dizer que será inevitável. Só que não pode ser limitada aos três concelhos (nem precisa) e, mais uma vez, o seu aproveitamento depende do que queremos para a região- aquele assunto que nenhum dos responsáveis locais gosta de abordar. Em público...

sábado, fevereiro 13, 2010

Os fantasmas de Lenine e Trotsky passearam no viaduto Morais de Carvalho



Com os necessários agradecimentos e as vénias devidas a "O Caricas". Imperdível!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

A coisa vai-se compor...

Mal concluímos a primeira quinzena do ano e já por aí andam ideias e iniciativas dignas de elogio. Há cada vez mais quem defenda que a região tem que ser pensada no seu todo; há responsáveis locais dispostos a mostrar que a intervenção dos poderes públicos na actividade económica, não tem que estar associada a tijolos e cimento. Divulgamos dois exemplos que nos alimentam a esperança: a coisa vai-se compor...

"Metro de superfície"


Na sessão de Câmara do passado dia 8, a vereadora Carmo Bica defendeu que se fizesse um estudo para um "metro de superfície" que ligue em permanência Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul. A ideia foi apresentada numa intervenção sobre a importância de projectos intermunicipais, onde se sublinhou a necessidade de criar um sistema de transportes alternativo, mais adaptado às necessidades das populações.

Claro que só podemos apoiar a ideia que, noutro contexto e com outra dimensão, aqui defendemos em Fevereiro de 2008. Até vamos mais longe: pegando no exemplo da Câmara de Águeda, valia a pena estudar até que ponto seria viável conciliar o serviço diário às localidades com a exploração turística deste trecho da antiga linha do Vale do Vouga, conseguindo, assim, duas fontes de receita.

Curiosamente, o presidente Telmo Antunes, com aquela "certeza certa" que tem caracterizado algumas das suas últimas intervenções, "arrumou" o assunto afirmando que o metro de superfície é "um grande elefante branco" e fazendo uma comparação perigosa: "se o metro de Lisboa e do Porto dão prejuízo, o metro de Lafões seria ruinoso"(1). Ora, sabendo-se das muitas dúvidas que estiveram associados aos actos de gestão da empresa Metro do Porto (exemplos aqui e aqui), dá vontade de lhe perguntar se considera inevitável que isso aconteça entre nós...

Mais do que divagações, exercícios de estilo e sectarismos, Lafões necessita de ideias. Esta, é daquelas que tocam fundo e que merecia ser estudada- aquele velho acto de humildade que deve anteceder qualquer decisão. Até porque, se não recusamos as ecopistas, preferimos as eco... regiões.
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(1)- Notícias de Vouzela, 14 de Janeiro de 2010

Reanimação da Feira Mensal

Da colecção do "nosso" Luís

Está a ser feito um esforço para reanimar a Feira Mensal de Vouzela. Criada por D. Dinis em 1307, a feira ressentiu-se, como tantas outras, das alterações do nosso tecido económico e social, não suportando a concorrência que foi surgindo, assim como os novos hábitos de consumo.

Um protocolo entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, tenta inverter a situação, através de programas que chamem mais gente. Talvez seja de alargar o âmbito da iniciativa, enriquecendo o leque de "feirantes", promovendo produtos regionais de referência, fazendo com que a feira seja encarada como uma ajuda aos produtores locais, uma alternativa à ditadura das grandes distribuidoras. Um bom exemplo da intervenção dos poderes públicos na actividade económica.

sábado, outubro 24, 2009

"Agora só falta aqui é cimento"


Retirado daqui, a partir do Quinta do Sargaçal

Já temos governo. Para os opinadores de grande audiência, tudo se parece resumir a ser mais ou menos da "linha dura", mais ou menos "dialogante" e, a partir daí, deduzir o modo como o colectivo vai evoluir no relvado. Isso mesmo. Parece que estão a falar de uma equipa de futebol. Discutir opções políticas, modelos de desenvolvimento, não passa pela cabeça de quem pensa ter alcançado o estádio supremo do desenvolvimento humano e chegado ao "fim da História". Não chegámos. Apenas nos arriscamos a ver chegar o fim da linha. Mais uma. E, com ela, assistir a mais um exemplo do desperdício de um modelo de crescimento (desenvolvimento é outra coisa) que ninguém discute.
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O documentário "Pare, Escute, Olhe" que aqui apresentamos, foi o grande vencedor da 7ªa edição do festival internacional de cinema DocLisboa. Ler aqui.

sábado, agosto 01, 2009

Solidários com outros por males que bem conhecemos

Solidariamente rapinado daqui

"Os acidentes só apareceram desde que começaram a falar da barragem".

Como se aproveitam recursos... em Espanha e se desperdiçam entre nós. Ver a partir do "Avenida Central".
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Outros "aproveitamentos", aqui. Por cá, as consciências "lavam-se" com... ecopistas

sábado, março 28, 2009

Lá vai o comboio- um filme nosso conhecido

Foto retirada daqui

Num país em que o Ministério do Ambiente não se insurge contra atentados ao património natural, em que o Ministério das Obras Públicas continua preocupado em fazer mais auto–estradas para ligar Porto a Lisboa (ou deverá dizer–se ao contrário?) e nada interessado em reabilitar o caminho–de–ferro como um meio ecológico, sustentável, seguro e confortável de transporte de pessoas e bens (contrariando o pensar europeu) pergunta–se:

Qual a estratégia para a ferrovia em Portugal?
Quantos quilómetros de via-férrea foram construídos ou reabilitados nos últimos quatro anos?
E quantos foram fechados, mesmo que «temporariamente»?

- Retirado do Avenida Central, com a devida vénia.

domingo, novembro 23, 2008

100 anos depois

Inauguração oficial da linha do Vale do Vouga (retirado daqui)

Em 23 de Novembro de 1908 foi inaugurado o primeiro troço da linha do Vale do Vouga (entre Espinho e Oliveira de Azeméis). Cem anos depois, limitados ao transporte rodoviário e condenados a assistir ao esgotamento do petróleo, importa reflectir no modo como se desperdiçou um recurso "por ignorância, por interesses, por falta de ideias": Para isso, recordamos um pouco do que já por aí escrevemos sobre o assunto. Aqui.